“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Sem açúcar, com afecto

16 comentários

Já falei da relação da minha Mãe com Jamie Olivier.

Mas não falei da minha…

O Jamie é comunicativo, despretensioso e bem intencionado.

Ganhou a minha admiração quando vi esta intervenção no TED: o minuto 12 fez-me tomar decisões importantes.

Vi ainda dois ou três programas em que ele tentava, desesperadamente, transformar a perigosa alimentação escolar americana.

Resolvi, então, que o açúcar não fazia parte da dieta alimentar da Beatriz.

Agora, com dois anos e oito meses, a Beatriz continua a consumir iogurtes naturais, bolachas Marinheiras e cereais sem açúcar.

Não gosta de bolo, nem de chocolate, nem de gelado ou de outras sobremesas.

Foi uma decisão pouco pacífica e que continua a gerar alguma polémica na família.

Na nossa cultura, tal como na música de Chico Buarque, o açúcar e o afecto rimam no mesmo refrão.

Este post podia terminar aqui.

-Que mãe paranóica!

-Que mãe tão zelosa!

Mas e quanto aos alimentos fritos? E salgadinhos? Qual é a reacção da Beatriz?

Em casa, raramente temos esses alimentos, mas quando lhe aparece uma empada, um peixinho da horta, uma nata de bacalhau, umas batatas fritas ao alcance da mão é muito difícil de controlar.

Felizmente, diverte-se mais a roubar o frito do que a comê-lo.

Anúncios

Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

16 thoughts on “Sem açúcar, com afecto

  1. Aqui em casa procedemos de forma idêntica, com excepção de algumas bolachas “Maria”. Não há refrigerantes, cereais doces, batatas fritas, enfim… A M. só muito depois de fazer três anos é que provou chocolate, confesso que ficou fã (mas muito raramente come). Mas de resto, mesmo as bolachinhas que fazemos cá em casa, não lhes liga, apenas gostando do processo de as fazer. Gosto muito do Jamie e gostei imenso deste TED. Obg por mais uma partilha interessante. Beijinho

    • Provavelmente a Beatriz também vai ficar fã, mais tarde 🙂
      O importante é não criar o hábito e não estimular o consumo de açúcar, sal e gorduras, não é?
      Ainda bem que não estou sozinha 😉
      E as bolachinhas feitas em casa, com ingredientes selecionados por nós, são completamente diferentes das bolachas processadas industrialmente…

      • 🙂 Uma grande verdade. Nada como sermos nós a fazer bolos, bolachas e outros doces, com ingredientes seleccionados por nós, tentando ao máximo reduzir o teor do açúcar, substitui-lo, ou escolhendo os açúcares menos refinados, menos energéticos. Beijinho

  2. Eu entendo bem a questão das mudanças alimentares e a polémica que pode gerar. Há coisa de uns 4 anos, depois de ver o programa do Jamie Oliver “Food Revolutions” acabamos por fazer mudanças significativas na nossa alimentação: não comemos alimentos refinados ou processados e optamos por fazer tudo em casa. Devo dizer que, em termos de saúde foi uma mais valia. Eu que, geneticamente estou predisposta aos diabetes, consegui sair da condição de pré-diabética e o Sr. Feliz reduziu o colesterol para níveis normais. Mas quando se fala de cultura alimentar, parece que algumas pessoas criam resistências a estas mudanças o que por vezes dá azo a pequenos embates. Principalmente durante os grandes almoços de família. Acho que começando de pequenino, a manutenção de hábitos alimentares saudáveis acaba por ficar de tal forma enraizada que os os miúdos acabam por nem ligar aos outros alimentos menos saudáveis. Beijinho 😉

    • É essa a minha esperança: criar hábitos alimentares saudáveis e fáceis de manter.
      E apostar na saúde!
      É verdade: são pequenos “embates” familiares 🙂

  3. Adoro o Jamie Oliver. Aliás, tenho vários livros dele porque acho as receitas simplesmente sumptuosas. O que ele fala sobre o açúcar é dramático. A verdade é que há cada vez mais crianças que não têm acesso a alimentos que não sejam os processados e cheios de açúcar. Qualquer família pobre ou mesmo, num caso mais extremo, em certos “guetos” norte-americanos, as pessoas nem acesso têm a fruta e a comida verdadeira, por assim dizer (e isto por causa do preço, uma pizza pré-congelada custa uma ninharia, por exemplo). As únicas coisas que as lojas vendem nesses guetos são refrigerantes, comida pré-fabricada de levar ao micro-ondas e pouco mais.
    Lembro-me de uma situação em concreto que me deixou perplexa. Ainda exercia a profissão de professora de ensino básico e a minha turma de segundo ano quis fazer uma festa. Aceitei e pedi-lhes que no dia tal trouxerem alguma coisa para toda a gente comer. Uma mãe, que trabalhava num restaurante, trouxe uma saca enorme cheia de pães com fiambre e queijo. Nessa tarde, vi com espanto, os miúdos a devorarem os pães. Não comeram os bolos, as batatas fritas, as bolachas e os doces. Tive de levar isso tudo para o refeitório porque os miúdos só queriam comer o pão. O que concluí? Em casa não havia pão. Não havia queijo. Não havia fiambre. Por norma sentimo-nos atraídos por aquilo cujo acesso é-nos negado.
    Cá em casa também consegui que a minha filha não reagisse aos doces como uma louca. Mas ao contrário de quem já comentou optei pelo caminho contrário. Coloquei-lhe doces à disposição e retirei o rótulo de comida má, comida boa. Em menos de um mês a relação dela com as coisas doces equilibrou-se e hoje fico perplexa que ela recuse gelado, chocolate, rebuçados na grande maioria das vezes. Eu com a idade dela ficava a salivar só de ouvir falar em tais coisas. O que interessa é que resulte e que de uma forma ou de outra seja possível cultivar nos mais pequenos uma relação mais saudável com a comida. 🙂

    • É mesmo isso, o que interessa é que resulte: eu tento não rotular, mas tenho optado por não mostrar muito alimentos açucarados. Vamos ver o que acontece…
      A situação das famílias que vivem com dificuldades é muito grave: aqui e nos Estados Unidos.
      Os alimentos processados e sem qualidade são mais baratos e muitas vezes o critério só pode ser esse…
      Obrigada pela partilha!

  4. Pingback: Sally Davies e o “Happy Meal Project” |

  5. Ana ,
    Desculpem lá …eu sou mais tipo ” com açucar ,com afecto “.
    Sem exageros,claro !
    Deixem essas meninas crescer …

    Devemos educar,claro …mas …esconder…retirar…acho que não vai resultar .

  6. Ana,
    Mais claro…devemos tentar conduzir ,tentar criar hábitos alimentares saudáveis !
    Comigo ,foi assim.

    Bj
    José

    • José,
      não tenho certezas nem fórmula secretas.
      Vou fazendo o que acho correcto, na esperança de que o seja…
      Parece que ser Mãe é isso mesmo: tenho só dois anos de experiência 😉
      Beijo,
      Ana

  7. Eu sou uma viciada em açucar, mas tento controlar algum do consumo pelo meu filho.
    Faço por incutir bons hábitos como a sopa, e os legumes e tenho a sorte do meu filho preferir o peixe à carne. Curiosamente ele gosta de doces, mas é pouco fã de chocolate.

    Dito isto, agradeço-te por esta partilha, porque me levou a ver os episódios do Food Revolutions do Jamie Oliver. Fiquei chocadíssima!!

  8. Eu também gosto mais de açúcar do que deveria; provavelmente é por isso que estou a ter mais cuidado com a Beatriz.
    A realidade americana é chocante.
    Oxalá nunca cheguemos a esse ponto.

  9. Pingback: 21 dias sem açúcar |

  10. Pingback: Ciao! tutto bene? |

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s