“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

KO

6 comentários

Quem já veio a minha casa sabe que eu não tenho televisão; e que encerrei a televisão da minha Avó Rosa num canto escuro do sótão.

No entanto, às vezes, tenho o azar de ser atingida por uma televisão alheia.

Por momentos, fico hipnotizada por quem julga ser dono da verdade e fala de forma tão convincente que (quase) todos julgam que ele, por poder divino, transmite mesmo a verdade.

Rentes de Carvalho, no blog Tempo Contado, fala deste triste fenómeno:

Adivinhos

microfoon[1]

Em bruxas só os simples acreditam, e as pitonisas vivem escondidas na Mitologia, mas muito se lhes assemelham os comentadores políticos.

Inchados e fátuos, como se tudo soubessem e adivinhassem o resto lendo nos astros, explicam-nos eles o que o presidente tem na ideia, o que os ministros preparavam mas esqueceram, o que presidente Obama devia ter dito à chanceler da Alemanha, o que a Rússia anda a conversar com a China. Entoaram loas ao engrandecimento e enriquecimento do Brasil, dizem agora que há muito sabiam as razões porque nele seriam abaladas a “Ordem e Progresso”.
Aborrecida, cansativa gente, a papaguear horas, convencida de estar no segredo dos deuses. E então as vozes. Umas de tom paternalista, outras em modo de homilia, algumas severas, a avisar que a posse da verdade não admite discordâncias nem oposições.
Por hábito antigo acordo às seis e ligo o rádio. Esta manhã, às seis e meia estava KO e desliguei, enfartado para o resto do dia, moído de crises, revoluções e adivinhos.
O post está aqui.
Os adivinhos calam-se se premirmos o off.
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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

6 thoughts on “KO

  1. Ana, kkk! Você tem toda a razão. Eu faço o mesmo.
    Um beijo,
    Manoel

  2. Ana,

    Não paras de me surpreender !
    Acho notável conseguires viver sempre sem tv !
    Tens muita razão e começo a perceber como te sobra tempo, para as coisas importantes e engraçadas da vida.
    Em casa dos meus pais só se comprou tv muito tarde (por opção ) e nunca há/houve tv durante as refeições.
    As pessoas assim falam ! Podem falar .
    Mas eu…. sou um viciado…alguns programas de desporto e de política… 😉
    Para concluir : são uma grande perca de tempo e muitas vezes sem qualquer interesse.
    E os filmes ? Toca o telefone… interrupção …não é a mesma coisa que assistir num cinema ( excepto no que toca a pipocas …)
    Quanto à nossa programação…é melhor nem falar.
    E a Beatriz não refila ? Coleguinhas de escola começam a falar disto e daquilo…que viram na tv.
    Olha Ana, os meus parabéns !
    Vejo que defendes aquilo em que acreditas e que ” não brincas em serviço ” !

    Bom fim-de-semana

    Um beijo,

    José

    • José,

      costumo evitar dizer que não tenho televisão, porque geralmente sou olhada com estranheza e desconfiança.
      Ainda bem que não pensas assim.
      Foi uma opção mas aconteceu naturalmente.
      Tenho muito mais tempo desde que a eliminei.
      Outro electrodoméstico que consome muito do nosso tempo: ferro de engomar 😉
      Também ando a evitá-lo embora ainda não esteja no sótão.
      A Beatriz acha natural que não haja televisão em casa, por enquanto…

      Bom fim-de-semana!
      Beijo,

      Ana

  3. Olá Ana, que bom ler o teu post e recordar que não tenho televisão. Há vários anos que abandonei a caixa mágica, talvez uns 7 ou 8… Na altura tinha começado a viver realmente sozinha (sem partilhar casa com ninguém) e não tinha um trabalho consistente. Passava muitas horas em casa, sozinha, e nunca o meu tempo foi tão útil e valioso e comprido… O início foi estranho. Depois disso, nunca mais aceitei voltar a ter uma TV.
    Não me imagino com tempo para ficar “aparvalhada” a ouvir programas sem nexo, vazios, ou senhores cheios de certeza. Vejo (vemos, nós e os miúdos) filmes, claro, mas escolhidos a dedo. Seguimos notícias e outros programas online… Não consigo sequer entender a necessidade de uma televisão nos dias que correm. Nem onde encontraria tempo para “ver televisão”. E partilho essa sensação de ficar com um ar extraterrestre quando entro num espaço que tem a TV ligada.
    Beijinhos e votos de um maravilhoso 2014

  4. Marta,

    fazemos exactamente a mesma gestão: filmes escolhidos a dedo.
    E agora a televisão incomoda-me: a imagem, o barulho e a ruína das conversas porque, geralmente, ela impõe-se.
    Que bom encontrar uma alma cúmplice 🙂
    Desejo-te (vos) um excelente 2014!

    Beijinhos,
    Ana

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