“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Sozinha

23 comentários

Sinto uma grande admiração por pessoas que viajam sozinhas.

Possuem dentro de si a satisfação plena.

Todas costumam comentar que sentem falta, em alguns momentos, de alguém com quem partilhar a magnífica paisagem ou o episódio caricato, mas é um mal menor.

Para mim, é um mal maior:

O prazer da partilha não se dissocia do prazer da descoberta.

Para além disso, tenho um sentido de (des)orientação tão apurado que iria estar frequentemente em apuros.

Em 1951, a fotógrafa Ruth Orkin, que viajava sozinha por questões profissionais, encontrou, em Florença, a artista Ninalee Craig.

7[1]

Ruth ficou encantada com esta jovem viajante solitária e decide tirar-lhe uma série de fotografias, com o sentido de incentivar outras mulheres solteiras a partirem nesta grande aventura das viagens solitárias.

Numa praça em Florença, a reacção masculina foi assim.

Ninalee Craig havia de dizer:

“Cobri-me bem com o meu xaile. Era a minha proteção, o meu escudo. Eu estava a caminhar por um mar de homens. Estava a desfrutar cada minuto. Eles eram italianos e os italianos encantam-me”.

Uma mulher ousada e inspiradora.

A fotografia e a informação foram retiradas da Revista Bula.

A admiração continua aqui deste lado, em 2014!

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

23 thoughts on “Sozinha

  1. para mim, é preciso coragem principalmente nos tempos que correm, e depois, um bom sentido de orientação a ler um mapa. tenho cá em casa quem o queira fazer (minha filha) e, não sei se ficarei descansada… falando da foto, é soberba…

  2. História e foto maravilhosas. Por duas vezes fiz o Caminho de Santiago a pé e acompanhada. Em ambas as viagens cruzei-me com mulheres que faziam o Caminho sozinhas e isso deixou-me sempre fascinada, mas ao mesmo tempo inquiria-me se o conseguiria fazer. Sinceramente acho que não, mas sempre as admirei e agora, ao ler este artigo, voltei a recordá-las. Beijinho

  3. Ana, gostei muito dessa postagem. Muito interessante!
    Um beijo,
    Manoel

  4. Ana,

    … ” tenho um sentido de (des)orientação tão apurado que iria estar frequentemente em apuros. “… 🙂

    Achei mesmo engraçada esta frase !

    Um beijo,
    José

  5. Sensacional essa foto! Já viajei sozinha quando era bem mais jovem, mas bem menos “resolvida”. Aprendi bastante, passei por momentos que foram um verdadeiro exercício de auto-conhecimento. Hoje, prefiro viajar acompanhada, principalmente com meus filhotes, me faz um bem danado vê-los descobrindo um mundo novo. Sobre a expressão criado-mudo, é meio antiguinha, hoje costumam chamar de mesa de cabeceira ou mesa lateral, né? Isso é o resultado do meu convívio com minha avó, aliás boa parte de minhas expressões devo a ela :). Beijos!

    • E eu delicio-me com estas expressões. Adoro!
      Viajar com os filhos é ver tudo pela primeira vez: a quantidade de pormenores que nos escapam…
      Beijo,
      Ana

  6. completamente de acordo!!
    ps: a própria partilha é em si mesmo uma descoberta, talvez a melhor das descobertas;))

    lindo espaço!!! parabéns*
    Patrícia

  7. Que lindo!! Fiquei fascinada com a Ninalee!
    Eu também gosto de viajar com alguém com quem partilhar o meu espanto 🙂 (embora A-D-O-R-E passar horas e horas sozinha…)

  8. Ás vezes é bom sózinha. Descobrem se coisas q acompanhadas nos passam ao lado. Acho que como tudo, o que custa é o 1º passo 😉

  9. Como sou uma figura apaixonada pela solidão e que tenta encontrar as palavras de Baudelaire, Borges, Pessoa nos lugares em que visita, prefiro mesmo estar a sós porque assim o vento repousa em minha pele eu abro os braços para voar. Sempre vou longe. rs
    Adoro sentir os lugares e, depois voltar a eles na companhia de outros.
    bacio

  10. Eu entendo bem essa ligação entre partilha e descoberta. Gosto de ficar sozinha comigo quando escrevo ou leio, mas quando inicio uma viagem prefiro partilhar. 😉 Adorei as histórias.

  11. Em tempos que já lá vão viajei sozinha! Sempre gostei de viajar e sempre me soube bem momentos a sós comigo mesma… as duas semanas que estive em Paris, apesar de ter ficado em casa dum colega de faculdade foram uma viagem que fiz sozinha, passeei e conheci a cidade sozinha e adorei a experiência! Além de não ter qualquer receio, posso gabar-me de ter um excelente sentido de orientação…

    No entanto, após ter conhecido a minha cara metade, a coisa já não funciona bem assim… fui de férias a Barcelona com uma colega de faculdade e senti-me sempre perdida por não ter o meu companheiro ali ao lado comigo. Gostei das férias e apreciei bastante a companhia da minha colega e grande amiga, mas foi injusto para ela, porque passei a semana inteira cheia de saudades do meu companheiro…

    Digamos que a questão de viajar sozinha só tem significado quando não temos nenhum “outro significativo” com quem queremos partilhar!

  12. Penso que a minha dificuldade se prende precisamente com essa questão.

  13. Faz tempo que não venho por aqui. Está tudo bem?
    Eu nunca viajei sozinha e antes achava que seria horrivel mas agora não penso mais assim, as vezes eu gosto de sair sozinha para refletir um pouco, bom, simplesmente gosto.
    Beijos

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