“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Cristal

19 comentários

Este blog costuma ser luminoso.

Regista a felicidade e a beleza dos dias.

Mas este blog também é intimista, disse-me a minha prima Graça.

Há que registar as fra(n)quezas.

Primeira: às vezes não me sinto preparada para sobreviver a este mundo: sou assim do tamanho da Arrietty.

E só quero viver longe daqueles que destroem a Beleza.

Não percebo quem não quer viver no meio de flores enormes e sentir-lhes o perfume.

Quem ataca gratuitamente, quem dificulta intencionalmente, quem é maledicente, quem incha com um poderzinho… e cultiva essas características.

O meu mundo é outro.

Os meus defeitos são outros.

Afonso Cruz

Sou mais como o Bonifaz Vogel de Afonso Cruz.

Da mesma forma que não compreendo quem não vive para a harmonia e para as artes, tenho perfeita consciência de que não sou compreendida por quem vive para a discórdia e para a desafinação.

A solução?

1-Evitar e ignorar pessoas tóxicas; parar de analisar quem não age com a razão/ coração.

2-Manter a cápsula onde vivo limpa e imune.

3-Acreditar que existem mais Arriety e Bonifaz do que elefantes!

E sei que quem me lê também é um cristal; os elefantes não sabem ler…

N.B. A imagem do livro A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz, é do blog Alice.

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

19 thoughts on “Cristal

  1. Tão bonito, Ana! Atesto que este blog é luminoso como um cristal repleto de afectos! Que assim continue, a espelhar o imenso coração da sua autora. Um grande beijinho!

  2. não conheço arrietty, mas pareceu-me ver ali algo de polegarzinho e outro tanto da menina do mar de sofia de mello breyner, mundos paralelos, distantes… gosto mesmo deste blog, foi um achado muito bom! beijinho e bom fim de semana. 🙂

  3. Ana,

    Gosto mesmo muito da sinceridade e delicadeza com que nos transmites tudo.
    Valorizas as “coisas ” simples e mais bonitas da vida e isso torna o teu espaço muito bonito e neutro em CO2 !!!!
    Só podes ser uma pessoa extraordinária.

    Um beijo,
    José

  4. José,

    andava a pensar neste desabafo há algum tempo: sinto-me indefesa perante a rudez (mais ou menos polida; talvez até a polida seja pior…).
    E, infelizmente, neste mundo isso é uma fraqueza.

    Quanto aos defeitos, esses são outros e cá andam – a caminho do aperfeiçoamento 🙂

    Obrigada por me visitares e por fazeres deste espaço um local livre de CO2!

    Bom fim-de-semana!
    Vi pratos ratinhos numa loja de artesanato: muito bonitos!

    Beijo,

    Ana

  5. Este blog é tudo o que descreveste, por isso só posso acreditar que também o és. Também é por isso que volto aqui regularmente.Quero coisas boas na minha vida e este cantinho é sem duvida uma coisa muito boa. Revejo-me completamente nestas palavras. A única diferença é que em vez de chamar cápsula ao lugar onde vivo, chamo-lhe bolha actimel. (peço desculpa pela publicidade) 😉

  6. Oh! Ana, que postagem lindinha. Fiquei feliz porque descobri que também sou um cristal.
    Um beijo,
    Manoel

  7. Sentir é para poucos, Ana, infelizmente! Beijo

  8. A diversidade do mundo e das pessoas facilita distinguir o que é bom e belo.
    Ser fiel às nossas convicções e manter-mo-nos assim é uma luta diária.
    Não podemos viver numa redoma de vidro, mas podemos imagina-la.
    Dou graças a imaginação e ao bom coração, ao meu e ao de muitos.
    O teu também que escreves coisas muito bonitas e sensíveis.

  9. Preservar a nossa redoma imaginária nem sempre é fácil, mas é essencial!

  10. A tuas soluções são excelentes e eu sigo muitas delas, especialmente a primeira.

    No entanto, a idade e a maternidade ajudaram-me muito mesmo a deixar de perder tempo a compreender essas “pedras negras”… mais vale focarmo-nos mesmo nos cristais limpídos e luminosos!

    Beijinhos

  11. Este post deixou-me a pensar durante vários dias. E hoje não resisto a vir aqui contar. Quando o li mexeu comigo e agora entendo: que nos últimos anos construí a minha cápsula…
    Vivo na minha felicidade (muito sensível às angústias de um mundo atribulado e cheio de injustiças), afastei-me do que não posso mudar e que sinto que está errado (“patrões” idiotas com sede de poder medíocre e insignificante, pessoas incapazes de se concretizar na sua vida profissional e que enchem os dias dos outros de obstáculos, vidas fúteis ou vazias…).

    E dou-me conta ao ler o teu post que o meu cantinho, que fui criando nos últimos anos também é uma cápsula ou uma bolha. Não estou isolada do mundo, nem o abandonei. Mas abandonei os objectos que destruíam um pouco dos meus dias e de mim. E acho que isso está bem assim. Pois com toda a fragilidade que tenho, esta bolha fortalece-me, dá-me oxigénio e incentiva-me a exigir um mundo melhor.

  12. Eu também!!!! às vezes não me sinto prepara para esse mundo. Parece que nem a idade (tenho 47) me talhou para esse ofício!
    Outro dia mesmo tive que comparecer a um evento do trabalho e aquilo tudo me parecia tão estranho, tão longe do que eu quero ou gosto. E pensei exatamente isso: não estou preparada para viver neste mundo…
    Bjs

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