“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Sabonária

18 comentários

Há quatro ou cinco anos, confidenciei a um amigo uma série de transformações que estavam a processar-se em mim e que indiciavam uma crise de meia-idade.

Os hábitos da minha Mãe, que eu nunca tinha apreciado/compreendido, estavam a eclodir:

1- coleccionar sabonetes e perfumar as gavetas com eles;

2- encantar-me com as sementes a germinar;

3- enfeitar a casa com flores;

4- fixar-me nos passarinhos;

5- comprar rendas e bordados;

6- emocionar-me com a Callas ( a minha Mãe é mais com ópera mas, enfim, …);

7- deliciar-me a fazer doces e compotas.

O meu amigo não me levou a sério e disse-me que lhe parecia uma excelente mudança. Até porque sempre tinha gostado muito da minha Mãe.

E assim ficou resolvido o assunto… e o meu preconceito.

A maldição de Oscar Wilde – a desgraça das filhas é assemelharem-se, com a idade, às mães – foi ultrapassada.

Oscar Wilde não percebia nada de flores: desgraça dele…

Há umas semanas descobri este frasco.

saboaria portuguesa

E a casa cheira a roupa de cama bordada, seca ao sol, perfumada e engomada.

Melhor do que este perfume do campo da Saboaria Portugueza só mesmo os junquilhos que a Beatriz apanhou no Vale com a prima Cristina.

junquilhos

Já não me lembrava que as flores cheiravam assim.

Quem roubou o perfume das rosas e das flores que aparecem nos mercados?

Têm sido geneticamente modificadas para serem mais resistentes e mais coloridas, mas têm o cheiro de uma triste folha de papel.

Os junquilhos são originários da África do Sul e, muito em breve, vêm viver para os canteiros de uma casa alentejana.

junquilhos 2

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

18 thoughts on “Sabonária

  1. Ana, é uma verdade gostosa porque está a afiar a sensibilidade em geral. Bem colocada a pergunta sobre o perfume das rosas, rs.
    Um beijo,
    Manoel

  2. este blog cheira taaaao bem 🙂

  3. até a mim me chegou o perfuminho. quanto à pretensa maldição, eu só ainda vou na das flores e plantas. sabonetes nas gavetas tenho-os desde sempre, o resto da lista vamos ver… as flores são lindas e dignas de um canteiro alentejano. um resto de bom domingo. um beijinho. 🙂

  4. Oi, Ana, quem roubou os perfumes das flores do mercado foram os mesmos que nos fizeram acreditar que antigos hábitos não são bons. Beijo!

  5. Ai… também meto os sabonetes nas gavetas para a roupa cheirar bem! 😀 Também acho que a crise de meia-idade me assolou. Tenho uma série de vasos com bolbos a despontar por toda a casa, lavei as rendas que a minha avó me deu e tenho-as na mesa da sala de jantar e nas mesinhas de cabeceira. É mal geral, está visto.
    O frasquinho da Saboária é o quê?
    Beijinhos 🙂

    • É uma crise bonita e perfumada 🙂
      O frasquinho é um ambientador para a casa com óleos essenciais: cheira a flores, mas verdadeiras: não é daqueles perfumes sintéticos 😉
      Podia durar mais tempo, para ser sincera… de tão bom que é!
      Beijinhos!

  6. Fiquei com vontade de cheirar esses perfumes.
    Em relação as parecenças com a mãe, eu só vi coisas boas! : )
    bjs

  7. Engraçado – eu percebo em mim certos hábitos de minha mãe e, dou risada.
    Aliás, nós somos imitadores natos, não é verdade? Bacio

    • Depois do período de negação, começamos a achar que afinal as mães têm razão em muitas coisas!

      • Também cheguei a essa conclusão. Sabe que hoje ao sair de casa disse pra mim mesma “leva o guarda-chuvas menina que vai chover”… rs Mas no fundo ouvia a voz dela a ressoar pela casa inteira. rs

        bacio

  8. Queria fazer um pedido. Achas que podes fazer um post de como vais plantar os Junquilhos? São lindas, mas tenho receio de fazer asneira. Por outro lado a hortelã menta anda viçosa que só ela. Tenho de fazer um post no fim de semana para poder mostrar. 😉

  9. Essa maldição atacou-me também! Mas pelo lado do meu pai, com quem tenho uma semelhança física tremenda. O meu pai sempre achou encanto nas casas velhas espalhadas pelos montes, em especial aquelas que estavam em ruínas. Há uns anos atrás achava a ideia dele estapafúrdia.
    Hoje em dia dou por mim a olhar para as casas de taipa, mesmo em ruínas e a encontrar-lhes potencial, depois de um belo arranjo.
    Quanto à maldição por parte da mãe… bem… essa é assolapada! Desde recuperar máquina de costura, reaprender crochet, aprender bordado e tricot e arrepender-me amargamente de não lhe ter permitido ensinar-me em tenra idade como ela queria… já chega de maldição?!

  10. Sendo assim já há uns tempos que estou nessa crise de meia-idade.
    E não me importo que assim seja. Sinto-me bem assim 🙂

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