“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Conversa de meninas

16 comentários

Como conversar com meninas pequenas?

Há frases que digo, porque sempre disse e porque tendemos a reproduzir o que fizeram connosco.

E porque as meninas pequenas são irresistíveis:

-Que bonita que tu estás!

– Que laço fofinho!

-Vestido tão liiindo!

E é assim que tento quebrar o gelo de um primeiro momento.

E é assim que, inconscientemente, valorizo a superficialidade e a vaidade.

São estas as referências que quero inculcar nas futuras mulheres da minha sociedade?

-Não!

Quando li este artigo do blog A cup of Jo, fiquei a pensar.

Numa pequena conversa inicial com uma menina, devia ter transmitido interesse pelo que aquela menina “é” e não pelo que a menina “parece”.

Que tal:

-Gostas de livros? Qual o teu livro preferido? Mostras-mo?

-E filmes?

-Tens animais? Por que razão gostas de leões?

-Qual a tua cor favorita?

-Gostas de jogar/legos/bolas…?

Há inúmeros desbloqueadores de conversa, se resistirmos à tentação de nos derretermos imediatamente perante estas doçuras.

Até porque, para além de mulheres bonitas, queremos um mundo de mulheres com ideias e personalidade.

E estes pequenos gestos podem fazer a diferença.

menina soulemama

(Fiquei estarrecida com estes números:

This week ABC News reported that nearly half of all three- to six-year-old girls worry about being fat.

In my book, Think: Straight Talk for Women to Stay Smart in a Dumbed-Down World, I reveal that 15 to 18 percent of girls under 12 now wear mascara, eyeliner and lipstick regularly; eating disorders are up and self-esteem is down; and 25 percent of young American women would rather win America’s Next Top Model than the Nobel Peace Prize.

Even bright, successful college women say they’d rather be hot than smart.

A Miami mom just died from cosmetic surgery, leaving behind two teenagers. This keeps happening, and it breaks my heart. )

A menina da fotografia é filha de Amanda Blake Soule, uma mãe também preocupada com estas (e outras) questões.

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

16 thoughts on “Conversa de meninas

  1. Interessante…confesso que nunca tinha vista “a coisa” por essa perspectiva, Mas faz realmente sentido!
    A obsessão da imagem, por ser bonita, ser magra, até a sexualização ocorre cada vez mais cedo, é assustador. Valores como a autoconfiança, saber comer, saber estar, saber pensar estão a perder-se e são cada vez menos valorizados.
    Post muito interessante e acima de tudo muito importante!
    Obrigado por me pores a reflectir! 🙂
    Beijinhos

  2. A verdade é que também nunca tinha pensado muito nessa questão, mas agora acho mesmo importante 😉

  3. Nossa, nunca tinha pensado o quanto fútil é iniciar uma conversa sobre vestidos ou penteados com uma menina.
    Interessantíssimo esse post. Temos que aprender a valorizar outros aspectos do mundo feminino, chega de viver num mundo de aparências.

  4. É um tópico muito quente cá em Inglaterra neste momento. As pessoas revoltam-se cada vez mais com a separação “brinquedos de menino” e “brinquedos de menina”. E com as coisas que se dizem a uma menina que não se dizem a um menino (como os exemplos que dás).

    Sinto uma grande responsabilidade por estar a educar um menino. Quero que um dia ele trate as mulheres de uma forma justa, que tenha uma visão equilibrada sobre este assunto.

    beijinhos,
    margarida

    • Margarida:
      Concordo!
      É muito difícil tratar as crianças como crianças e não transmitir esteótipos limitadores.
      Só assim serão adultos verdadeiramente livres.
      Um abraço!
      Ana

  5. Concordo com tudo. Esta maneira de abordar meninas começou a preocupar-me quando a minha filha já tinha idade para compreender o que lhe diziam. Dantes, nunca tinha pensado muito no assunto.

    O problema é que isto já está tão implantado na psique colectiva que ir contra à corrente é como se de uma heresia se tratasse. Quando chamei a minha sogra à parte e lhe disse que não gostava que ela só focasse o aspecto físico da minha filha ela olhou para mim com ar de incredulidade. Não valeu de nada a conversa. Após as visitas dos avós tenho de desconstruir na mente dela a ideia disparatada que ela é só uma cara bonita. É terrível quando a nossa filha de 4 anos nos pergunta: Mamã, sou bonita? E cai-me o mundo aos pés porque uma menina de 4 anos deve viver de forma despreocupada e não a pensar no seu aspecto. E isto tudo graças a visitas ocasionais dos avós ao fim de semana.

    Mas não desisto de a orientar para a linha de pensamento certa. Triste vida é a de quem só se foca na aparência. Graças a tal forma de pensamento temos mulheres de 30, 40 e 50 anos que, em vez de entenderem que o verdadeiro poder de uma mulher está na sua inteligência e capacidade de lidar com os problemas, julgam que a resposta para os seus problemas está num par de sapatos ou na última dica de sexo encontrada nas páginas das revistas femininas. Revistas essas que não passam de uma violenta diarreia mental.

    E depois pergunto, mas é isto a revolução feminista? Foi para isto que mulheres morreram e foram presas? Basicamente continuamos a fabricar as nossas próprias cadeias. Continuamos a aceitar, de bom agrado, o papel de mera carne. Espectáculo de carne coberto de maquilhagem, botox, cremes anti-celulíticos e dietas de 30 dias para ficarmos no nosso melhor. Enquanto isso, as meninas crescem seguindo o nosso exemplo. E os meninos também.

    E agora calo-me que já escrevi demais. :p Este assunto dá para uma tese!

    • Gostei muito de ler o comentário… e subscrevo, claro.
      Nem todas as pessoas se questionam acerca dos seus comportamentos: é sempre incómodo, mas só assim se cresce verdadeiramente.
      Quanto às meninas, temos de dar o nosso melhor para que sejam, no futuro, mulheres íntegras.
      E é verdade: este assunto dava uma tese!

  6. Boa noite, Ana !

    Hoje não …

    …” quebrar o gelo de um primeiro momento “… quer se trate de menina ou menino,deve é ser feita é de forma natural e depende de cada situação.
    ” Que laço fofinho! “, ” Que bonita/o que tu estás! “,etc -( para mim ) nada tem a ver com valorizar a vaidade futura .
    Acho tudo isso normal …
    Será escusado iniciar com ” estás mesmo feio/a , pá ! ”
    As crianças são espertas …sabem distinguir …sabem muito mais do que pensamos.
    O que acho ,é que deveremos falar com crianças de forma natural e o mais verdadeira possível !
    Sem pensar muito ( sem fazermos um filme )…deveremos ser nós próprios.
    E acho que as crianças agradecem.
    Os alunos caraterizam tão bem os seus professores…e outros adultos.
    Nada de capas / caraças .
    Eu penso assim .

    Um beijo,
    José

    • Olá, José!

      Ainda bem que há diferentes perspectivas.
      Já viste o aborrecimento que era se pensássemos todos da mesma forma?

      Concordo que devemos ser naturais com as crianças, mas acho que não faz mal se reflectirmos sobre o que conversamos com elas.
      Afinal também reflectimos com os adultos… e não deixamos de ser naturais (a maior parte das vezes).

      Há um meio termo perfeito, na minha opinião.
      Chegar lá é que é difícil.

      Um abraço,

      Ana

  7. Fiquei aqui a lembrar-me do diálogo com C. – ela me perguntava: que desenho temos nas nuvens hoje? será que nesse outono pegaremos uma folha de árvore durante uma caminhada? Na primavera, teremos flores de laranja?

    Agora, ao ler-te fiquei a pensar até onde isso ajudou a ser o que sou ou quem sou. rs

    bacio

  8. Achei ótima sua observação. Realmente, a gente se prende a padrões, cria estereótipos, e nem nos ocorre a consequência disso. E na cabeça de uma menina pequena tem muita coisa para nos surpreender e a explorar. Beijo

  9. Creio que a sociedade, de há umas décadas a esta parte, tem vindo a inverter os valores que nos devem nortear.

    Curiosamente, e porque sou mãe de rapazes, li há tempos algures um artigo que falava sobre o bullying e que dizia que os rapazes estão mais sujeitos a este tipo de coisa, porque é suposto serem fortes, exemplos de masculinidade e coisas do género.

    No caso das raparigas, há muito que os modelos de beleza estão completamente enviezados…

    • No caso dos meninos, são outros os cuidados, sem dúvida.
      Educar para a sensibilidade, integridade e saber é que é transversal.
      Um abraço.

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