“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Pressione “Pause”

Regressámos à Casinha da minha Avó Rosa.

Praia Planeta Tangerina

Sem televisão.

Sem internet.

Sem horários.

Sem listas “a fazer”.

 

Com a família materna.

Com os amigos.

Com os livros.

Com o Mar.

Praia Mar

Com Tempo.

E com peixe do mercado.

douradas mercado

Todos os dias!

E assim vamos ficar, com mais ou menos viagem, durante umas semanas.

Boas férias!

 

Até breve!

 

Todo este mar é do livro Praia Mar, de Bernardo Carvalho.

 

 

 


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Monsaraz

Já há muitos anos que vou a Monsaraz.

Sei que vou andar a pé, longe de ruídos metálicos, e encontrar as mesmas casas, as mesmas ruas, o mesmo artesanato, os mesmos restaurantes, …

Monsaraz

Há qualquer coisa de muito reconfortante nas rotinas e no facto de sabermos, à partida, que as nossas expectativas não vão sair goradas.

Monsaraz e Beatriz

Mas desta vez tive duas excelentes surpresas.

A primeira loja de Reguengos: do francês Thierry, que trocou o mundo da moda em Paris pelo Alentejo.

Venci a minha timidez e aconteceu uma conversa tão boa que, de repente, estávamos a falar de compota de chuchu e das dificuldades de ter um quintal no Alentejo.

E também de um percurso de vida e dos nossos existencialismos.

Fiquei a admirar Thierry, porque trocou o conforto de uma vida previsível pelo Sonho.

E porque apresentou esta mudança como uma inevitabilidade: escutou o bater íntimo do coração e seguiu-o, porque não podia deixar de fazê-lo.

E eu fiquei a escutar o meu coração…

Não houve lugar a fotografias à loja e apenas retive o Português com sotaque, o sorriso, a revelação e a luz de Monsaraz.

mercearia monsaraz

mercearia 2

mercearia3

Todas estas fotografias da loja são Joli.

 

A segunda revelação: as mantas!

É verdade, eu já tinha olhado para elas.

Mas olhar é muito diferente de ver.

A minha mãe comprou-nos duas pequeninas (de beliche) quando éramos crianças…

São manufacturadas na Fábrica Alentejana de Lanifícios (Fábrica das Mantas) que foi comprada por Mizette Nielsen, nos anos setenta (Pós 25 de Abril).

manta 2

Outra pessoa anteriormente ligada ao mundo da moda, holandesa, e também encantada pelo Alentejo.

Fiquei, ainda, a saber que os padrões destas mantas remontam à tradição moura, uns antepassados muito esquecidos e apagados pela nossa tradição católica…

O preço, que pode não ser muito acessível, tem uma justificação muito válida:

As mantas são em pura lã tingida (um processo já dispendioso) e tecidas em teares manuais, muito lentamente:

Uma manta média leva três dias a ser tecida.

Não faltam razões para voltar a Monsaraz!

Mas, nestes dois meses que se seguem, só mesmo depois das 18:00h!

 

 

 

 


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Az-zait

Fui à Biblioteca e vim com esta descoberta.

A revista Az-zait.

A prova de que tenho andado fora do mundo é que se trata do número 18 e eu só agora reparei nela!

A capa deste número é muito mais bonita do que esta versão digital que está disponível na Casa do Azeite.

Capa-Az-zait-18[1]

É uma revista para ler, contemplar e sentir nas mãos.

Li a entrevista de Catarina Portas.

Fixei-me nestas linhas:

“Depois de ter feito o meu programa televisivo “Sofá Vermelho” onde se falava de livros […]

tirei um ano sabático com o objectivo de ir um ano para a Tailândia ler.

Quando cheguei à ilha, carregada com 20kg de livros e me apercebi de que não havia acesso de automóvel, tive de pagar a uns rapazes para me transportarem os livros.

Mas soube-me muito bem passar uns tempos a ler.”

azeite81[1]

Não consigo comentar…

Só consigo sonhar com a Tailândia e com muitos livros e com todo o tempo para mim e para eles!

Imagino que o Paraíso deva ser qualquer coisa parecida com este cenário.

 


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Ultimato

Junto à nossa costa, o Verão é suave.

Na Figueira da Foz, passo a estação com uma mantinha na cama e sem me incomodar.

Há quinze anos, quando passei o primeiro Julho no Alentejo,

percebi o que significa V E R Ã O!

Calor que queima a pele, que impede a inspiração; luminosidade que se reflecte nas paredes caiadas e fere os olhos.

E noites preguiçosas e amenas nas ruas das vilas e das cidades.

A noite é a minha hora preferida: os vestidos de alças vêm à rua, sem casaco no braço.

Mas o que faço durante o dia?

Ou aprendo, definitivamente, a defender-me do sufoco no pescoço.

Com estilo.

penteado1 miss mosscabelo apanhado missmoss

miss moss trancinhas

Ou corto.

Com estilo.

corte1 missmoss

corte3

Sei que ainda sobrevive a adolescente que há em mim, quando olho para estas imagens e acredito que, se fizer este corte, vou ficar com este ar leve, fresco e cuidado,  com 40º C à sombra…

Muito estilo no blog Missmoss.


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Política

Quando alguém me fala dos empregos criados pelas grandes superfícies e pelas grandes empresas nacionais e internacionais,  eu penso em todos os empregos que se perderam, todas as lojas de bairro que fecharam, todas os pequenos produtores e intermediários que foram cilindrados.

Se este discurso é de esquerda ou de direita, pouco me interessa.

Há muito que os meus actos políticos se distanciaram dos partidos.

E, quer tenhamos consciência ou não, a verdade é que quase todos os nossos actos são políticos.

margarida mf ceramista

Desde o que escolhemos tomar ao pequeno-almoço, à quantidade de sapatos que temos, à forma como nos deslocamos, ao que fazemos ao fim-de-semana (enchemos os centros comerciais?), aos móveis que compramos no IKEA, ao que decidimos reciclar e trazer para nossa casa; à música que ouvimos ou aos livros que lemos.

Comprar muito e barato ou pouco e mais caro também são decisões com implicações globais e, consequentemente, políticas.

mf ceramista

Optar por marcas brancas ou por marcas portuguesas com tradição faz a diferença entre nos “globalizarmos” ou mantermos a nossa identidade.

Mas são mais caras!

Pois são, porque implicam mais despesas.

Mas será que precisamos mesmo de comprar tantos pacotes/t-shirts/sapatos, …?

Acho que tomei a verdadeira noção das consequências dos meus atos, quando me reaproximei da terra, comecei a trabalhar com as mãos e quis deixar o mundo um local melhor para a minha filha.

Reduzi consideravelmente o consumo, reciclo roupa, móveis, tenho o carro mais velho dos parques de estacionamento das imediações e tento ser mais autónoma através da horta.

Consegui mudar todos os antigos hábitos e vícios?

Não, mas sei qual é o caminho.

mf ceramista 2

Todas estas peças tão bonitas e delicadas são deste atelier.

Esta entrevista é de alguém que levou esta experiência ao limite.


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Granola

Fazemos Granola.

Perfumamos a casa.

Divertimo-nos.

Jantamos Granola (já aconteceu…).

Oferecemos Granola.

Pedem-nos Granola.

Ficamos felizes e lançamos três Granolas.

Fogo: com Frutos Vermelhos.

Sol: com Mel e Pólen de Flores.

Terra: com Cacau Puro.

granola fogo

Na imagem, Granola Fogo: completa e saciante, a abarrotar de vitaminas, proteínas e antioxidantes.

E, como sempre, com ingredientes da melhor qualidade: um fio de Mel da Serra d´Ossa e cereais integrais.

 

 

 

 


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Dívidas

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

São muitos os blogs que partilhamos e, numa altura de tirania antitabágica, fui eu que lhe apresentei a Terceira Noite, do Professor Rui Bebiano.

Identificação imediata!

O Professor Rui Bebiano foi meu professor há… vinte anos (!), na Faculdade de Letras e, por isso, refiro-me ao Professor Rui Bebiano como Professor. Para sempre.

Gostei e recordo-me dos professores do Ensino Secundário, mas foi na Faculdade que nasceu, em mim, o verdadeiro deslumbramento pelo Professor.

Provavelmente, porque foi só nessa altura que tive consciência de tudo o que não sabia sei e que verdadeiramente me maravilhei com o Conhecimento.

E foram vários os professores que me mostraram a inteira dimensão do mundo que eu tenho para descobrir.

No blog, o Professor Rui Bebiano analisa os nossos dias, fala-nos de literatura, cinema, filosofia, política,… do Homem.

E eu continuo a sentar-me na mesa da frente do anfiteatro da FLUC e a escutá-lo.

Dois excertos:

blog Rui Bebiano

A leitura e o futuro

«Enquanto houver livros para ler sei que não terei um momento aborrecido na vida. Só isto basta para lhes dever muito.» Com esta frase, com a qual rematou uma crónica recente sobre livros e livrarias, José Pacheco Pereira lembrou uma atitude que, apesar de viver uma fase de recuo, continua a marcar profundamente a experiência coletiva e a de muitos de nós. Refiro-me à prática da leitura como momento de enriquecimento pessoal, enquanto fator de conhecimento e de prazer, mas também ao seu uso como instrumento de liberdade, devido à capacidade que oferece para treinar a imaginação, abrir possibilidades e ajudar a construir uma consciência crítica do mundo. […]

 

O som do silêncio

Numa crónica publicada em 2003, Manuel António Pina recordava aquela que era, para Walt Withman, a estreita relação entre o autor e quem o lê: «O leitor sabe que, quando é de noite, estamos ambos sós.» Depois de lembrar a afirmação do poeta nova-iorquino, Pina continuava com as próprias palavras: «Só nos livros são possíveis ainda a noite e a solidão, em tempos de holofotes por todos os lados. E quanto os homens precisam de solidão, de se escutar a si mesmos na numerosa voz dos livros! E, em tempos como estes, barulhentos e estridentes, de silêncio!» Pouco mais de uma década depois disto ter sido escrito, o ruído não cessou de aumentar e são cada vez menos os que compreendem a necessidade da leitura imersiva e solitária que nos faça pairar por instantes na cápsula do tempo. Permitindo, como no intervalo de uma competição desportiva ou de uma tarefa difícil, que ganhemos força para prosseguir a jornada. Para não perdermos o norte enquanto tudo em redor acelera. Para não nos deixarmos cegar frente ao excesso de luz. Para que a razão não soçobre perante a estridência, deixando à solta o pior de nós.

E agora vou desligar esta luz e vou ler.

Porque não posso perder o norte.

Porque não quero cegar.

Porque não quero deixar à solta o pior de mim.