“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Dívidas

4 comentários

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

São muitos os blogs que partilhamos e, numa altura de tirania antitabágica, fui eu que lhe apresentei a Terceira Noite, do Professor Rui Bebiano.

Identificação imediata!

O Professor Rui Bebiano foi meu professor há… vinte anos (!), na Faculdade de Letras e, por isso, refiro-me ao Professor Rui Bebiano como Professor. Para sempre.

Gostei e recordo-me dos professores do Ensino Secundário, mas foi na Faculdade que nasceu, em mim, o verdadeiro deslumbramento pelo Professor.

Provavelmente, porque foi só nessa altura que tive consciência de tudo o que não sabia sei e que verdadeiramente me maravilhei com o Conhecimento.

E foram vários os professores que me mostraram a inteira dimensão do mundo que eu tenho para descobrir.

No blog, o Professor Rui Bebiano analisa os nossos dias, fala-nos de literatura, cinema, filosofia, política,… do Homem.

E eu continuo a sentar-me na mesa da frente do anfiteatro da FLUC e a escutá-lo.

Dois excertos:

blog Rui Bebiano

A leitura e o futuro

«Enquanto houver livros para ler sei que não terei um momento aborrecido na vida. Só isto basta para lhes dever muito.» Com esta frase, com a qual rematou uma crónica recente sobre livros e livrarias, José Pacheco Pereira lembrou uma atitude que, apesar de viver uma fase de recuo, continua a marcar profundamente a experiência coletiva e a de muitos de nós. Refiro-me à prática da leitura como momento de enriquecimento pessoal, enquanto fator de conhecimento e de prazer, mas também ao seu uso como instrumento de liberdade, devido à capacidade que oferece para treinar a imaginação, abrir possibilidades e ajudar a construir uma consciência crítica do mundo. […]

 

O som do silêncio

Numa crónica publicada em 2003, Manuel António Pina recordava aquela que era, para Walt Withman, a estreita relação entre o autor e quem o lê: «O leitor sabe que, quando é de noite, estamos ambos sós.» Depois de lembrar a afirmação do poeta nova-iorquino, Pina continuava com as próprias palavras: «Só nos livros são possíveis ainda a noite e a solidão, em tempos de holofotes por todos os lados. E quanto os homens precisam de solidão, de se escutar a si mesmos na numerosa voz dos livros! E, em tempos como estes, barulhentos e estridentes, de silêncio!» Pouco mais de uma década depois disto ter sido escrito, o ruído não cessou de aumentar e são cada vez menos os que compreendem a necessidade da leitura imersiva e solitária que nos faça pairar por instantes na cápsula do tempo. Permitindo, como no intervalo de uma competição desportiva ou de uma tarefa difícil, que ganhemos força para prosseguir a jornada. Para não perdermos o norte enquanto tudo em redor acelera. Para não nos deixarmos cegar frente ao excesso de luz. Para que a razão não soçobre perante a estridência, deixando à solta o pior de nós.

E agora vou desligar esta luz e vou ler.

Porque não posso perder o norte.

Porque não quero cegar.

Porque não quero deixar à solta o pior de mim.

 

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

4 thoughts on “Dívidas

  1. Boa noite, Ana !

    Adorei !

    ” Fantasia reaccionária ”
    25 DE JANEIRO DE 2010
    Os bons velhos tempos

    Desde que em 2006 entrou em vigor em Espanha a legislação destinada a reprimir o ancestral hábito de fumar, diminuiu o consumo do tabaco mas cresceu o número de fumadores. Em 2009, 31,5% dos nuestros hermanos afirmou fumar, no mínimo, de forma moderada, quando três anos antes a percentagem era de 29,5%. A diferença seria insignificante se não derrotasse os objectivos «profilácticos» da lei e não servisse agora de justificação para impor regras ainda mais severas e restritivas. A verdade é que ao longo destes anos elas se mantiveram razoavelmente suaves e de aplicação bem mais flexível do que aconteceu em Portugal, como qualquer cidadão pode constatar, entre três passas e outras tantas baforadas, de cada vez que cruze a linha de fronteira e avance até à distância de um tiro de bacamarte. Porém, se tudo for agora uniformizado pelo diapasão do antitabagismo furioso, deixaremos de distinguir o «mau vento» que a nicotina insinua e sofrerá rude golpe a castiça defesa da identidade dos nossos ares. Sejamos claros: lá no fundo, os defensores espanhóis de uma lei mais severa são iberistas disfarçados ou então ressabiados de 1640. Por isso, se os de Madrid aprovarem as suas normas mais limitativas, apenas nos restará, em nome da pátria dos Pereiras, dos Albuquerques, dos Mouzinhos e dos Coutinhos, um voluntarioso regresso ao uso liberal do Provisórios e do Três Vintes.

    e

    ” Os vulgares, os cromos e os espertos ”
    12 DE OUTUBRO DE 2012

    Uma matéria destacada esta semana pelo Público e pela Visão chamou a atenção para um livrinho com o expressivo título Faz o Curso na Maior…

    😉

    E vou estar atento ao blog do teu ex-Professor !

    Um beijo,
    José

    • Olá, José!

      São bons textos os que citaste: inteligentes e lúcidos
      Quanto ao livrinho, nem vou comentar: triste país que divulga e publicita um livro do “chico-espertismo”: não li e não gostei…

      Um abraço e bom fim-de-semana!

      Ana

  2. Gostei imenso, Ana. Obrigada pela partilha. 🙂

  3. Tão pequeno esse mundo. Que delicia saber-me leitora de teu professor.
    Adorei, bacio

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