“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Marmita

Instalou-se a crise.

Acentuou-se a minha consciência ecológica.

Aumentou o meu grau de exigência relativamente a refeições saudáveis.

E a lancheira tornou-se a minha companheira diária.lancheira fechada

lancheira cheia

Abro-a,  geralmente, em excelente companhia.

Há qualquer coisa de muito positivo que une quem leva lancheira para o trabalho.

Não necessariamente a falta de dinheiro… apesar deste também não abundar na minha carteira.

E cria-se uma pausa, a meio do dia, muito natural, de conversa à volta da mesa;

estranhamente, foi preciso vir a crise para que estes momentos voltassem a existir.

 

Falta-me ver este filme; fiquei a sonhar com almoços assim, preparados com muito amor:

 

 


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Cheiro

Gravações caseiras:

1-Beatriz, qual é a tua cor favorita? Amarelo.

2-Qual é o teu som favorito? A tempestade (do filme Bambi), o piano.

3-O que mais gostas de comer? Batatas fritas, bróculos, cerejas, sumo de laranja.

4-O que mais gostas de sentir nas mãos? Água, a Branquinha.

5-O que mais gostas de cheirar? TU!

 

Olfacto.

O sentido que nunca dorme.

O sentido que não controlamos.

O sentido que faz ligações directas a locais recônditos do cérebro que julgamos adormecidas

desde o tempo dos nossos antepassados longínquos.

 

A minha relação com os perfumes foi evoluindo, tal como eu.

Aos 20, escolhia sempre perfumes que se impunham;

no início dos 30, usei perfumes que me prolongassem.

Entretanto, engravidei e os perfumes tornaram-se insuportáveis.

 

Três anos e meio depois, reiniciei a minha procura.

Objectivo: um cheiro íntimo, subtil e que não anule o cheiro favorito da Beatriz.

Aquela aura que todos temos, mas que só sentimos quando invadimos, intencional ou acidentalmente, o espaço do outro.

Durante mais de um ano usei este óleo que se funde com a pele.

 

Agora fiquei com saudades do frasco de perfume.

E comecei a pensar nos aromas que se prendem às minhas mãos e ao meu corpo, no quintal e na cozinha: cravinho-da-Índia; manjericão … e gengibre.

Fixei-me no gengibre.

Muito usado nos perfumes masculinos.

Um mundo novo para descobrir?

 

Sem entrar em perfumarias, encontrei os segredos de uma Avó.

caixa de perfume de gengibre

Parece um perfume para casa, a cheirar a lençóis de séries inglesas.

Resultado: ou ando a espalhar memórias de séries da BBC…

ou cheiro a granola.

Perfume de gengibre

 

 

 


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Domingo resfriado

Atchim!

Sábado em casa.

A Kiki foi nossa convidada e as vassouras ganharam outro encanto.

nossa gatinha Branca foi destituída, porque o Gigi (o gato da Kiki) é preto e até fala!

Domingo sossegado.

Por prevenção.

Manhã na cozinha: o almoço é tarefa minha e os biscoitos são feitos pela Beatriz.

Nunca mais comprámos bolachas.

 

Biscoitos de Mirtilos e Amêndoas

200g de farinha de trigo

200g de farinha de trigo integral

2 colheres de chá de fermento

200g de flocos de aveia

200g de açúcar mascavado

200g de amêndoas partidas grosseiramente

150g de mirtilos desidratados

200g de manteiga amolecida

6 ovos

1- Mexeu a manteiga com o açúcar;

2- Juntou os ovos em colheres alternadas com todos os outros ingredientes (previamente misturados).

3- Já está!

A bancada ficou branca e a batedeira tem muita manteiga, mas apenas intervim na última parte: fazer as bolinhas para os tabuleiros. Podia ser com as mãos mas usámos uma colher.

O pormenor da amêndoa é da Beatriz.

Biscoitos de mirtilos antes de cozer

4- Forno a 180ºC durante 20 minutos.

Biscoitos de mirtilos cozidos

E temos biscoitos para as duas próximas semanas.

Biscoitos de mirtilo no prato

São mesmo deliciosos e muito simples de fazer.

Descobri que os mirtilos são uma boa alternativa às sultanas.

A receita foi inspirada numa sugestão publicitada pelos Mirtilos da Seeberger, muito usados cá em casa na Granola Fogo.


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Beringela

A Dina é Mãe do meu querido … sobrinho-neto (!!!) e pediu-me para partilhar algumas receitas.

Fiquei atrapalhada, porque me sinto uma principiante perante a minha família do Alentejo.

Quer dizer, exceptuando as compotas, as bolachas as granolas não alcanço muito crédito na cozinha.

Talvez sejam inseguranças de quem não sabe fazer um bom cabrito assado ou umas migas alentejanas…

O meu quintal gosta de beringelas: cada planta deu várias séries.

Para além de grelhar, aproveito muitas vezes o forno aceso para uma beringela recheada.

Recheada de quê?

De beringela!

beringela recheada

Beringela recheada com beringela

Beringelas;

alhos esmagados;

limão e sal;

azeite;

duas colheres de natas de soja;

especiarias;

queijo da Ilha.

1-Escavo as beringelas e deixo as capas de casca com sal;

2-Corto o interior escavado aos cubinhos;

3-Coloco o alho (muito), os cubinhos de beringela; manjerona; noz-moscada, gengibre e pimenta  num tacho com azeite.

4-Deixo cozinhar até ficarem os ingredientes macios.

5-Lavo as capas de beringela com sumo de limão para retirar o excesso de sal.

6-Recheio, polvilho com queijo e levo ao forno durante 25 minutos ou até alourar.

Quando quero enriquecer a refeição, junto cubinhos de tofu.

Aprovado pelos mais exigentes paladares alentejanos!


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Tempo

Prenda de Natal?

Nunca sei o que responder.

Não quero nada; assim de repente não estou a ver…

Bem, aquilo de que eu mais preciso não está à venda: uma hora extra por dia – para dormir, para ler livros com a Beatriz,

para conversar, para estar comigo, para vir ao blog, para ler, para me dedicar à fotografia, …

Se calhar, 4 horas extra por dia.

Gostava muito de começar a aprender fotografia: tenho quem me ensine mas ainda não tenho a disponibilidade.

Talvez uma máquina me ajudasse a dar esse passo.

Talvez.

Perguntei ao meu irmão, que perguntou ao Sérgio Azenha:

A máquina ideal para a Ana?

Esta.

máquina dos meus sonhos

 

“O autofocus dizem que é brutal, super rápido, o que é bom para tótós… 🙂

Podes comprar montanhas de lentes porque aceita também as lentes da Olympus.

Naturalmente também faz filmes e é espetacular nisso (vê sobretudo a parte à noite e com pouca luz)!

Se comprares a máquina não compres um cartão qualquer.

Aquilo precisa de um cartão rápido para ser bom. A boa notícia é que não são muito caros mas têm de ser muito bem escolhidos.”

 

Foram estas as recomendações do meu irmão; gostei especialmente da parte dos totós: é esta a minha máquina.

 

Não deve ser difícil encontrá-la; mais complicado será descobrir latas com muitas horas dentro para eu começar utilizá-la.


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Anos 70

Nos anos 70, os lares portugueses deslumbraram-se com os electrodomésticos.

Ora eu pertenço à geração de 70 e vi esse boom: algumas geringonças entraram e subiram directamente para a prateleira mais alta da despensa, mas houve inovações que ficaram até hoje.

A máquina de sumos da minha Mãe: dá tanto trabalho a limpar que, por vezes, evito usá-la só para escapar a esse momento.

máquina de sumos

Quando a uso fico sempre encantada com o sabor da fruta e com a consistência do sumo.

Sumo de beterraba, laranja e maçã.

Sumo de pêra, maçã e cenoura.

Sumo de laranja, maçã e cenoura.

Sumo de maquina de sumos

Faltam os bigodes cor-de-laranja da Beatriz.

A iogurteira veio connosco para Estremoz e é usada todas as semanas.

Não deixo de pensar que os utensílios que pretendiam facilitar a vida doméstica das mulheres são agora demasiado lentos.

Ou melhor, quanto mais rápidos são os objectos que nos rodeiam maior a velocidade a que nós estamos sujeitos.

As inovações não surgem para nos facilitar a vida ou para nos deixar mais tempo livre: aparecem para nos fazer correr mais depressa.

É pena que assim seja!

iogurteira


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Offline

 

“Por cada ecrã que se acende, há uma janela que se fecha.”

 

Passei 20 anos da minha vida sem telemóvel, sem computador, sem internet… e com pouca televisão.

Tudo mudou e foi bom.

O mundo abriu-se; tornámo-nos cidadãos do mundo… e deslumbrámo-nos.

Até que se instalou a ditadura do online.

 

Quando a Beatriz tinha 8 meses, o meu telemóvel avariou: fiquei numa angústia, com medo de sair de casa sem telemóvel e com um bebé.

Durante meia-hora, andei pela casa.

Até que pensei na minha Mãe, nas minhas Avós, nas minhas Tias e nos bebés delas… e ultrapassei esse medo irracional.

Fiquei duas semanas sem telemóvel e senti-me, surpreendentemente, mais livre.

A partir desse momento, a minha relação com o telemóvel alterou-se.

Por vezes, fica em casa; muitas vezes toca e eu não atendo: porque não o ouço, porque não posso, porque não quero atender!

Atender é uma opção.

 

A minha luta mais recente:

rejeitar Internet no telemóvel.

O meu tarifário contempla-a, mas o meu equilíbrio não.

A minha relação com a Internet já não é das mais saudáveis.

Não quero torná-la doentia.

 

E agora, para ficar bem claro, que nasci no século XX;

que, para mim, as palavras ditas ainda são mais válidas do que as palavras escritas;

que um texto manuscrito é tão válido como um texto em Word;

que o uso do computador só faz sentido se nos facilitar muito a vida;

que as fotografias só são marcantes se estiverem nas minhas mãos;

que a troca de olhares e de abraços são o meu oxigénio;

que temos de viver como faz sentido para nós;

a minha Agenda Comercial.

Agenda comercial

A minha Mãe tentou… muito; com grelhas Excell simples e práticas, com conselhos e tabelas de créditos/débitos, mas eu só passei a ter tudo registado e organizado quando comprei esta agenda.