“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Alfazema francesa

-Mãe, tenho saudades da Primavera!

-Eu também!

No nosso quintal, continuam as plantinhas arrepiadas.

A única flor que nos alegra os dias é mesmo a alfazema francesa.

É uma espécie de origem selvagem, resistente a doenças, e que cresce vigorosa no Inverno rigoroso e no Verão quente: ideal para um quintal no interior do Alentejo.

Para além disso, cuida do quintal, pois afasta pragas de pulgões, carraças, moscas e escaravelhos.

ramo de alfazema francesa

Este fio descobriu-o na loja Made in Paper!

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Apaixonada

O pediatra Mário Cordeiro disse, numa entrevista, que educar um filho pode ser maravilhoso, mas tem momentos terríveis.

A Beatriz entrou numa fase de birras  que tornam, por momentos, o nosso Amor difícil.

Sinto, por vezes, no mais íntimo de mim, a dimensão do adjetivo “terrível”.

Felizmente, ainda são mais frequentes os momentos de Maravilhamento.

Abraço Rachel

-Mãe, estou apaixonada!

– … Por quem?

-Por tu!

 

Adivinham a resposta?

 

A ilustração é do Pequeno Livro das Coisas que aguarda calmamente que a Beatriz cresça mais um bocadinho.

Da ilustradora Rachel Caiano e do escritor João Pedro Mésseder.


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O campo

Cada vez gosto mais do campo e de observar a vida das flores!

-Pois… apaixonaste-te por um alentejano.

(Nem todos os alentejanos têm herdades; há alguns mais citadinos do que um nova-iorquino.)

 

Cada vez me sinto mais feliz a mexer na terra e a ver as sementes a germinar!

-Foste viver para o Alentejo.

(O Alentejo não é constituído por montes; existem cidades – vivo no centro de uma delas, apenas com um pátio interior que eu vou fingindo que é uma horta…)

 

Os estereótipos sobre o nosso país são impressionantes… e sobre a vida no campo também.

Muitas vezes são imagens maravilhosas que nós gostamos de guardar na nossa imaginação e que as revistas, blogs e restantes órgãos de comunicação social alimentam.

A nossa casinha pequenina era no campo, no cimo da serra, e vivemos lá durante três anos.

Viver fora do centro da cidade é encantador: na Primavera, no Verão e no Outono.

 

O Inverno é, quase sempre, desconfortável e pouco acolhedor.

Às vezes, parecia que vivíamos num farol!

Nessa estação, o apartamento aquecido do meu Pai sempre me pareceu o ninho perfeito.

 

Entretanto, como já não vivo no campo há um ano, esqueço frequentemente o Inverno real e suspiro por estes Invernos de revista.

viver no campo

no quintal3vida no campo 2no quintal

vida no campo 1vida no campo 4

mimilouise[1]

cepes1[1]

As primeiras imagens são do blog DustJacket Attic.

As duas últimas imagens são do blog da fantástica (no campo ou na cidade) Mimi Thorisson.

 

 

 


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Locomotiva

As viagens de comboio fazem parte do meu imaginário.

Ando há meses (bem, há mais de um ano) a prometer uma viagem de comboio à Beatriz.

Enquanto não se concretiza a promessa, viajamos pelo poema do polaco Julian Tuwin.

Entrámos na nossa estação preferida: a Biblioteca de Estremoz.

Locomotiva Capa de livro

E avançámos de mão dada com a Mãe.

Locomotiva página2

Ou ao colo do Pai.

Locomotiva página 3

O comboio prepara-se para o início da viagem.

Locomotiva página 6

Vamos num comboio construído só para nós.

Locomotiva página 5

E seguimos embaladas por um poema onomatopaico e carruagens recheadas de surpresas.

Locomotiva página 8

Locomotiva página 12

Locomotiva página 15

Escusado será dizer que demoramos na minha carruagem favorita, num desafio de leitura ritmada que nos agrada muito.

Locomotiva página 10

Subimos montes e lemos depressa:

“Por vales, por montes, por túneis, prò mar,

Depressa, depressa pra não se atrasar,

A trote atravessa, o compasso não troca,

Com um baque que bate, com um toque que toca.”

Locomotiva página 24

Até que chegamos a casa, onde nos aguardam muitas outras viagens.

Locomotiva página 29

E brincadeiras.

Locomotiva página 31

Ilustrado por Paulo Galindro.

Traduzido por Gerardo Beltrán e José Carlos Dias.

Da editora QualAlbatroz.

Para espreitar!

 


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Frio

Numa casa com muitas divisões (e enormes), as intervenções são lentas e obedecem a prioridades.

Depois das divisões elementares, aguarda intervenção o quarto de hóspedes.

Um lar só adquire verdadeiro calor, quando recebemos os amigos com o conforto que queremos oferecer.

Ainda assim, são os amigos que nos aquecem a casa, quando gela lá fora.

E tem sido difícil resistir a tão baixas temperaturas.

No quintal, a couve bebé arrepia-se e encolhe-se.

couve bebé

O alho-francês decidiu esperar pela Primavera.

alho-francês bebé

A rúcula, felizmente, renovou o ciclo e enche-nos os pratos de verde.

rúcula

A alfazema francesa, conhecida por ser muito viçosa e resistente, não desaponta e perfuma a casa.

alfazema francesa

A Natureza reserva-nos surpresas: nos vasos queimados pela geada, cresce um amor-perfeito.

Amor -perfeito

E atrás dos vasos, a única companheira que, por estes dias, não tem frio.

gatinha

Para o nosso amigo peruano e para as almas angolanas da casa, prepara-se uma grande competição: piri-piri do quintal!

piri-piri

O Perú tem mais de cinquenta variedades de malaguetas e um prato sem picante é um prato sem graça… mesmo que seja uma sopa.

Acho que sei quem vai ganhar…

 


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Esboço

Depois de sermos pais, percebemos que todos os nossos actos são fundamentais:

não só para o equilíbrio do Universo mas, sobretudo, para o nosso novo Universo: aquele desenho animado 3D que corre, canta e espalha alegria.

Emily Apple

Tudo o que fazemos é observado e interiorizado.

Nós somos o Exemplo a seguir.

Pela observação, as crianças definem o carácter; a abertura de espírito; a criação de bons hábitos; o espírito positivo perante a vida; desenvolvem a rectidão e delineiam o caminho para a Felicidade.

Os nossos actos são imitados de forma acrítica, o que é uma enorme responsabilidade.

Também por esse facto, depois de ser mãe, penso que me tornei uma melhor pessoa, ou pelo menos, a necessidade de tornar-me melhor pessoa cresceu em mim.

Emily Apple esboço

E fiquei mais definida:

apesar de vivermos num mundo neoliberal (para ser optimista…), a vida não é uma sucessão de sucessos e fracassos;

é um processo, um caminho de auto-descoberta e aperfeiçoamento que se quer, na medida do possível, tranquilo e coerente.

A Beatriz não tem de ser a melhor; mas tem de estar feliz.

É essa a missão que abracei há quase quatro anos.

A vida não se mede a partir das vitórias quantitativas e materiais; mas dos estados de felicidade que acumulamos.

Acredito que os afectos, a reflexão e a Arte nos podem ajudar nesse caminho.

E é o que transmito à Beatriz.

É o que ela pode guardar da Mãe dentro das suas mãozinhas.

Emily Apple

O resto descobrirá por ela.

Sempre com os Pais por perto!

Ilustração de Emily Apple, do blog Inside a Black Apple.

 

 

 

 


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Reis

Vieram da Pérsia, Índia e Arábia.

Trouxeram ouro, incenso e mirra.

Belchior, Gaspar e Baltazar.

Passaram por Monsaraz.

Rei Mago Belchior Monsaraz

E a Beatriz encontrou-os.

Rei Mago Monsaraz

Rei Baltazar Monsaraz

Quanto a mim, continuo encantada com Monsaraz.

Monsaraz paisagem

E os motivos de encantamento, numa altura em que tudo muda, felizmente mantêm-se.

Casa Tial

Todos.

Tapetes Monsaraz

Feliz Dia de Reis!