“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Vocação

O meu Pai trabalhou 36 anos com números, mas sempre gostou de letras.

Foi brioso na sua profissão, mas ia procurando as letras… nos livros, na rádio e até na política.

Reformou-se e a sua demanda intensificou-se:

cursou História na FLUC;

matriculou-se, depois, voluntariamente, em cadeiras tão diferentes como Estudos Literários ou História de Arte;

fez parte das listas dos melhores alunos do ano da Universidade de Coimbra;

e ganhou o Prémio Feijó.

Fê-lo com gosto, determinação e muito espírito académico.

Sem nunca perder a Humildade.

Agora concluiu a tese sobre o Mosteiro de Seiça: um tesouro abandonado, mas testemunho do nosso percurso nacional.

tese O Mosteiro de Santa Maria de Seiça

A SIC fez esta excelente reportagem sobre o Mosteiro, na rubrica “Abandonados” e o meu Pai é o primeiro interveniente a ser entrevistado pelo Pedro Mourinho.

Programa Abandonados Mosteiro de Seiça

É um bocadinho estranho ouvir o meu Pai a ser tratado por António!

PAI

 Parabéns!

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O Sonho da Mariana

Encontrámos O Sonho de Mariana na nossa Biblioteca.

livro[1]

É um livro com mais texto do que habitualmente mas penso que a Beatriz está preparada para esta nova etapa.

timthumb[1]

Embalados pelo sonho da Mariana, ficamos do tamanho da Polegarzinha e voamos nas costas de um pássaro.

O sonho de Mariana

Até à nascente do Rio dos nossos sonhos.

Descemos o Rio seguindo o percurso da água, por albufeiras, estações de armazenamento e canalizações das nossas casas.

O sonho de Mariana capa

Num banho de cor, aprendemos o ciclo da água, e quase esquecemos o lado didáctico do livro.

Um texto de um autor que dispensa apresentações, António Mota e de uma ilustradora das nossas preferidas, Danuta Wojciechowska.

As minhas fotografias ficaram uma vergonha, mas há dias assim; e entretanto o livro já foi devolvido à Biblioteca. Portanto, todas estas imagens foram retiradas da Internet.


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Pê de Pai

Pê de Pai foi um dos primeiros livros da Beatriz.

Pê de Pai capa

Chegou de mãos dadas com Coração de Mãe.

Pai avião

Bernardo Carvalho reduz o desenho ao essencial.

Pai travão

Mas a ilustração transborda expressividade.

Pai cavalinho

É também o que Isabel Minhós Martins faz com as palavras.

Pai sofá

O Pai amoroso e cúmplice.

Pai doutor

Por vezes, mais cúmplice do que a Mãe cá de casa…

(E como é importante esse contraponto!)

Pai bóia

Um livro dedicado ao Pai, num mundo infantil ainda muito povoado por Mães.

Feliz Dia do Pai!


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Páscoa Vegan

Brainstorming interior:

Páscoa – coelho – animal simpático e ternurento – muitas imagens de animais ternurentos – têm de ser protegidos – temos de reduzir o consumo de produtos de origem animal…

STOP!

As bolachas Frasco de Memórias contêm produtos de origem animal: manteiga, ovos e mel!

bolachas vegan

Estas não!

Com farinha de trigo integral (300g), açúcar mascavado (120g), nozes (80g), sementes (120g), azeite (6 colheres de sopa), flor de sal (uma pitada) e água (+-100ml):

misturam-se os ingredientes secos com azeite e água;

esticam-se com o rolo da massa;

cozem no forno a 180º durante 15 minutos ou até estarem douradas.

É uma edição especial Páscoa – “Operação Coelhos Felizes” – mas estou a pensar seriamente em torná-la definitiva.

Natureza Alfabeto da Natureza

As ilustrações por onde passeiam os coelhinhos vegan são do livro O Alfabeto da Natureza.

(N.B. Depois de rever o post, decobri que a “Operação Coelhos Felizes” pode ter interpretações políticas… e arrepiei-me.

Ainda estou a tentar pacificar-me com uma designação que me pareceu, à primeira vista, engraçada!)


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Cor de andorinha

A Dina é Mãe do meu querido … sobrinho-neto (!!!) e pediu-me para partilhar algumas receitas.

Fiquei atrapalhada, porque me sinto uma principiante perante a minha família do Alentejo.

Quer dizer, exceptuando as compotas, as bolachas as granolas não alcanço muito crédito na cozinha.

Talvez sejam inseguranças de quem não sabe fazer um bom cabrito assado ou umas migas alentejanas…

As bolachas da Joana deram-me muitas ideias!

Como fazem parte das nossas marmitas diárias, procurei fazer uma versão mais saudável e nutritiva.

podia meter-me num ninho de andorinhas

Com:

500g de cacau derretido;

100g de manteiga amolecida;

150g de açúcar mascavado;

gengibre fresco ralado (não é unânime cá em casa);

5 ovos;

2 colheres de café de fermento;

200g de farinha de trigo integral;

100g de sementes de linhaça moídas;

100g de flocos de aveia integrais moídos (como farinha);

100g de amêndoas cortadas grosseiramente;

açúcar em pó, cacau em pó ou sementes para polvilhar.

Misturei os ingredientes pela ordem como os escrevi e deixei a massa endurecer no frigorífico durante duas horas (mas podem ser mais; uma noite, por exemplo).

Cortei a massa em pequenos quadrados e rectângulos com uma faca.

A Beatriz encarregou-se de polvilhá-los com açúcar ou cacau (para os pais) ou com sementes (para ela).

Numa altura em que os (poucos) programas de culinária que consigo ver abusam da expressão “confort food”, estes quadradinhos dão-nos mesmo o conforto do ninho por muito longe dele que estejamos.

bolachas de cacau

As ilustrações são do livro Se eu fosse muito pequenino.


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Fome

Durante três décadas vivi convencida de que herdara o metabolismo do meu pai: era magra.

Engravidei, engordei, emagreci… sem esforço.

Até que, num ano de muitas mudanças e adaptações, engordei e não emagreci, ao contrário do que sempre acontecera.

O que me engordou?

Obviamente, as quantidades de comida, superiores ao meu hábito.

E por que razão comia?

Porque tinha fome.

E por que razão tinha mais fome do que o normal?

Porque, à velocidade em que andava, o meu sensor de saciedade encontrava-se desligado.

 

Tive de parar e reflectir: aprendi mais sobre mim e conheci o meu corpo e a minha mente.

Quando estou cansada procuro a comida.

Quando estou insegura procuro a comida.

Quando estou ansiosa procuro a comida.

Quando me sinto em stress procuro a comida.

 

Penso que é uma forma primitiva de compensação:

de mostrar a mim própria que vou sobreviver; ou que estou a ter o gesto primordial para sobreviver: alimentando-me.

Tenho-me observado e tenho observado muitas mulheres com excesso de peso:

mães, profissionais, donas de casa, que andam a grande velocidade, cansadas e sem tempo para olhar para elas.

Porque querem ser perfeitas e, se for preciso, são as últimas da lista.

 

É verdade que não reagimos todos da mesma maneira,

algumas pessoas conseguem deixar o que não interessa e conseguem equilibrar-se bem;

outras refugiam-se num outro vício que não é o açúcar.

No meu caso, o diagnóstico está feito e é um princípio.

Sinto que, a partir de agora, a minha relação com a comida não vai voltar a ser a mesma e será sempre uma luta em busca de equilíbrio.

Perdi quatro quilos, mas o fundamental é que sinto que controlo o que estava descontrolado.

Mais importante do que perder ou ganhar quilos é sentirmo-nos tranquilas.

E eu ganho peso quando não estou em equilíbrio e isso é mesmo o mais grave.

A anatomia do apetite FJS.jpg

Também descobri que caminhar e correr (uns minutinhos) me acalma muito.

Faz com que chegue a casa mais tarde é certo, mas “revitalizada”, dizem os olhos que me vêem entrar.

O que me permite ser uma melhor pessoa e, consequentemente, melhor mãe.

Companheiros para esta caminhada: artigos como este.

A imagem é do mesmo blog.