“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Take me to Greece

Por motivos estéticos, filosóficos, pessoais e políticos copio o título e as imagens do blog French by Design.

Grécia

Grécia 2

Grécia 3

Sem PIB´s, deficit ou juros da dívida externa.

Todos os meses contribuo, coagidamente, com parte do meu justo salário.

Ainda não percebi bem quem o recebe.

Palpita-me que não vai para quem precisa dele.

Entretanto há um alvo bem maior do que o meu contributo mensal.

E já está, alegremente, em acção.

A Mariana Mortágua aponta-o.

“Ainda me lembro da primeira (e única) loja dos 300 que abriu na minha terra.

Ficava ali a seguir ao largo da Câmara, logo depois do talho da Fatinha, e vendia tudo, mas mais barato.

Ontem, quando olhei para as capas dos jornais, senti-me a viver numa loja dos 300.

Os chineses da Fosun dizem que Portugal é o melhor país da Europa para vir às compras.

Não vêm comprar sapatos, nem vidro da Marinha Grande, querem as empresas.

Em três jornais distintos aparecem ligados a negócios na saúde, turismo, agricultura e comunicação social.

Não para investir ou criar emprego, mas adquirir o que já existe e foi, tantas vezes, criado com o nosso dinheiro.”

 

Há muito que perdi a fé nos partidos, mas ainda acredito nas pessoas e nas ideias…

Ontem foi o Presidente de Oliveira do Hospital


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Rolling Stone

Num mundo perfeito não haveria ginásios: passeávamos todos juntos, numa floresta, perto de casa, até o sol se pôr, depois de um dia em que tínhamos caminhado o suficiente para desentorpecer os músculos.

No mundo real, levo uma vida sedentária e o percurso entre o parque de estacionamento e o trabalho é a caminhada mais longa que faço.

O que não significa que não corra durante todo o dia: para me/nos preparar de manhã, para o trabalho, para fazer bem todas as inúmeras tarefas do dia, para ir buscar a Beatriz, para jantar, para deitar a Beatriz… e para cair na cama.

Mother is a rolling stoneHá dias em que a ansiedade e o stress não param de correr, mas o corpo quase não saiu do sítio.

Tem-me feito bem inverter as correrias: o corpo corre, a mente descansa tranquila, porque não pode fazer mais nada naquele momento.

Só isso explica a quantidade de runner que tem surgido.

O inconveniente do ginásio, para ser honesta, é só um: a selecção musical e o volume da música; de resto já me habituei à minha versão hamster em cima da passadeira.

O melhor que lá ouvi ainda foi esta música em altos berros.

Imaginem o resto!

O melhor do ginásio é, sem dúvida, a aula de Pilatos: só mesmo obrigada é que alongo os músculos e faço movimentos de rotação lentos e suaves!

Com música baixinha!

Imagem: French by Design .

 


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Simplicity

 

“Becoming a mother is a very democratizing experience in a weird way—all of the sudden, you see the whole world in very simple terms,” says Molly.

“Everyone is a mother, everyone is a child. It creates a depth and a compassion to every relationship.”

Emily Harteau

Antes de ser Mãe, quando havia momentos de silêncio, contemplava os adolescentes que trabalhavam comigo e imaginava os adultos em que iriam tornar-se: o rosto transformado pelos anos, o estilo, a profissão, a forma de estar na vida, os amores e desilusões futuras, …

Emily Harteau

Emily Harteau

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Hoje, quando há momentos de silêncio, aproveito para contemplá-los e tento encontrar-lhe os traços que ainda guardam de bebés, a maneira como terão sido amados pelos pais (sinto um frio no estômago quando sei que alguns até nem foram muito amados), como terão sido felizes ou curiosos na escola primária, …

Emily Harteau

No fundo de mim, sinto-me muito próxima de todos eles… e responsável por contribuir para o seu presente mais feliz e mais rico.

“Everyone is a mother, everyone is a child. It creates a depth and a compassion to every relationship.”

As fotografias são de Emily Harteau, e vieram do blog… Mother!

 

 

 

 


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Miséria

Imagens degradantes de seres humanos.

Não, não são humanos.

Não podem ser.

São “refugiados”.

São “imigrantes clandestinos”.

Comem o que encontram, dormem no chão, morrem.

Contraio-me.

Contorço-me.

60 000 000 pais, filhos, irmãos, tios, primos.

Metade são crianças!

Metal pesado no estômago.

A Beatriz!

Náusea.

Crianças.

Desorientação.

 

Recomeçam as urgências do dia:

a louça, o banho, a mochila, a lancheira, a história,…

A Terra dá outra volta e as imagens de horror esbatem-se distantes e a indignação adormece.

A vida continua.

Para nós.

 

Há quem se levante e seja humano.

O Presidente de Oliveira do Hospital.

Não sei quem é, não conheço a cor política, nem o passado.

Nem me interessa.

Quer receber 10 famílias e todo o agregado familiar.

Tem 10 casas, quer integrar 30/40/50 crianças nas escolas do seu município.

 

No meio da miséria – material e humana – uma pequenina luz bruxuleia.

 

 

 


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Baralhando Histórias

Não sei se acontece com todos os pais, mas é-me difícil resistir à tentação de estar sempre a ensinar alguma coisa à Beatriz.

Excepto com o Pingu, procuro que aquilo que vê ou faz lhe transmita conhecimentos, noções estéticas, valores,…

Que aborrecimento…

Felizmente, a Beatriz tem muito sentido de humor e, frequentemente, troca-me as voltas.

Felizmente, há autores que escrevem livros que nos divertem e que vão ao encontro da sensibilidade humorística cá de casa.

Baralhando Histórias de Gianni Rodari e ilustrado por Alessandro Sanna:

Um Avô muito distraído conta a história da Capuchinho Vermelho.

Baralhando Histórias capa

Quer dizer, amarelo.

Baralhando Histórias Capuchinho Amarelo

Quer dizer, verde.

Capuchinho Verde

Vermelho!

Baralhando Histórias Capuchinho Vermelho

Um Capuchinho que vai entregar uma encomenda à Tia.

Baralhando Histórias Tia Maria

E anda no eléctrico.

Baralhando Histórias elétrico

Depois de algumas peripécias com um cavalo.

Baralhando Histórias Lobo2

Pois… e que era muito bom a Matemática.

Baralhando Histórias Lobo

Hilariante!

Com um Capuchinho feliz no final!

Baralhando Histórias Capuchinho Vermelho e chiclete

Mascando a sua chiclete como todo o Capuchinho moderno que se preze!


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Paridade

Na escola da Beatriz há algumas meninas, mais velhas, que mostram os vestidos novos quando chegam.

A L. veio passar a tarde connosco e, na sua timidez, perguntou-me se eu já tinha visto as suas “leggins” de ganga.

Eu sou vaidosa, mas fiquei tão espantada que nem percebi logo a questão.

Entretanto, a Beatriz andava em plena loucura de rega no quintal com galochas e cheia de lama.

Não sei como vai evoluir a Beatriz, mas por enquanto ainda usa o meu baton com a mesma naturalidade com que “faz a barba” com  o Pai, lê livros, faz bolachas, chapinha no quintal ou salta nos colchões.

É uma fase essencial do desenvolvimento, da construção de modelos e do autoconceito.

Nem todos os pais pensam muito nesta questão;

de outra forma não proliferariam tantos vestidos, acessórios e bugigangas rosa-choque (de gosto muito duvidoso)

e outras tantas princesinhas animadas que mais não fazem do que suspirar pelo seu príncipe e enfeitar-se a si e ao que as rodeia.

Na pouca televisão que vemos, há uma distinção clara entre animação para meninos e animação para meninas.

E a questão é: o que pretendemos nós, adultos, do futuro dos nossos filhos?

Num mundo perfeito, os filmes de animação, para crianças, seguiriam, prioritariamente, padrões de qualidade:

haver um protagonista ou uma protagonista era secundário – qualquer criança identificava-se com a missão do herói, com os seus medos, com a sua bravura e desenvolvia a vontade de construir uma equipa e viver as mesmas aventuras, quer o líder usasse tranças  ou cabelo à escovinha.

Não é assim.

E os produtores de cinema vivem e alimentam (-se de) preconceitos.

Gostei muito desta intervenção de Colin Stokes, no TED: “The Hidden Meanings in Kids´Movies: um pai que começou a despertar para estas questões, com a filha e com o filho.

Dos 100 filmes produzidos em 2011, nos Estados Unidos, quantos tinham uma protagonista feminina?

11!

Com algum humor, Colin aconselha-nos a fazer o teste Bechdel:

1- O filme inclui duas personagens femininas?

2- Essas personagens falam uma com a outra?

3- O tema da conversa vai para além do rapaz por quem estão apaixonadas?

 

Quero um futuro com mulheres que vivam a vida intensamente, incluindo a amorosa;

mas que nunca se sintam limitadas ou se autolimitem por serem mulheres;

que pensem no que vão vestir no dia seguinte, mas que não seja só esse o objectivo do seu dia!

 

Uma em cada cinco mulheres, nos Estados Unidos, já foram sexualmente ofendidas.

Onde aprenderam os rapazes esse comportamento?

Colin Stokes aponta responsabilidades:

Os meninos crescem num universo em que o herói tem de vencer o inimigo com violência e, no final, recolher a recompensa:

“the girl” – de preferência uma que não fale muito!

Que imagem de poder estamos a dar aos meninos/rapazes?

Por todos estes motivos é importante repensar que filmes vemos em casa:

com protagonistas que meninos e meninas queiram como amigos e que não reiterem o sarcasmo contido na frase “coisas de menina”.

E quase todos os de Miyasaki!

Mais sugestões?

 

 

 

 

 


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Agenda

Carl Honoré, impulsionador Slow Movement, diz que as nossas crianças estão assoberbadas de actividades: cansadas, ansiosas e sem espaço para brincar, nas suas agendas tão preenchidas.

A E., colega da Beatriz, tem natação às segundas e sextas; ballet às terças e quintas e música aos Sábados.

Chega a casa, diariamente, às 19:30h, toma banho, janta e dorme, exausta.

Inside a black Aple

Disse à Avó que lhe faltava tempo para brincar.

 

Eu compreendo os pais da E…. eu também sinto um impulso para proporcionar à Beatriz todas as experiências enriquecedoras que consiga encontrar.

Mas onde está o limite?

A Beatriz tem ballet duas vezes por semana.

Costuma ir alegre e radiante.

-Mãe, hoje não quero ir: quero ficar em casa a brincar com os legos.

-De certeza? Não queres dançar com a E., com a M., com a professora M.,…?

-Não, quero brincar contigo.

Ficámos.

Sem certezas.

Achei que obrigá-la a ir quebrava para sempre uma actividade que se quer, em primeiro lugar, prazerosa.

Como harmonizar o maior número de experiências com um dia excessivamente preenchido?

E com uma filosofia de vida que se pretende, sempre que possível, slow?

Não tenho a resposta, mas definitivamente não quero que a Beatriz tenha uma agenda mais preenchida do que a minha!

A imagem é daqui!