“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Dor

7 comentários

“Quando o amor acaba, a tragédia é minimizada porque já sabíamos que “o amor acaba”.

O fim de uma amizade é uma surpresa mais chocante”, escreveu [Mexia] numa crónica para o PÚBLICO, em 2008, intitulada Teoria geral do ex-amigo. “A mitologia diz que os amigos são indestrutíveis e eternos. Há, por isso, um grau de decepção no fim de uma amizade que cobre de vergonha os envolvidos.”

De um amor que desaparece pode dizer-se que se confundiu o amor com uns olhos azuis, como ironizava Mexia na crónica. “Nunca mais me apaixono”, ouve-se tantas vezes. Vale o que vale, mas quem já não viu alguém mais ou menos abalado fazer essa promessa?

Este artigo do Público atingiu-me e ajudou-me a verbalizar sentimentos.

Também eu perdi um amigo.

Não foi a distância geográfica ou a vida do dia-a-dia que nos afastou: penso que estas circunstâncias até se aceitam – encolhemos os ombros e pensamos “É a vida!” e, pelo menos, temos uma desculpa (ainda que aparente) que justifica o fim da relação.

Mas e quando um amigo diz que não quer mais ser nosso amigo? Que precisa de se afastar?

Durante anos não me conformei e insisti.

Lutei por essa amizade como nunca lutaria por uma relação amorosa.

De facto, estamos preparados para ver um grande amor partir: sabemos que ficamos devastados, que vamos chorar muito mas, enfim, também sabemos que nos vamos levantar.

Em relação aos amigos, encaro-os com a seriedade com que se encara um grande amor, mas pensando que não vai ter fim:

Foi uma sorte o nosso encontro e a vida fica mais leve se for partilhada contigo!

Foi por isso que não aceitei o fim.

E por ver uma pessoa tão importante da minha vida a desaparecer.

E por ver a minha vida a ficar mais pobre.

Fica assim um vazio, uma sombra cinzenta no coração.

A tristeza que fica perdura no tempo. “Uma tristeza mais suportável e mais duradoura que a tristeza amorosa”, nas palavras de Pedro Mexia.

saar manche dor da perda

Uma tristeza que fica, apesar dos anos.

Imagens do blog de Saar Manche.

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Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

7 thoughts on “Dor

  1. Nunca tinha pensado muito nisto, mas é mesmo assim, doloroso e triste. Beijinho grande

    • É bom sinal, Joana. Acho que só somos obrigados a pensar nessa dor quando nos acontece: eu até pensava que não existia ou que nunca iria descobri-la 😦
      Beijinhos

  2. Eu perdi várias amizades ao longo do tempo, apesar de lutar com unhas e dentes para que a amizade não se perdesse…

    Só aprendi a relativizar mais a coisa (o que não ameniza de todo a dor…) quando depois dumas sessões de psicoterapia, a minha psicóloga me colocou as coisas da seguinte forma:

    “as pessoas entram na nossa vida por uma razão e quando esse propósito foi cumprido, elas saem, porque as pessoas existem na nossa vida para que aprendamos algo, positivo ou não. Não adianta agarrar-nos mais a essa pessoa, se ela não quer estar na nossa ou se achamos que ela já não tem presença ou lugar na nossa vida.”

    basicamente ajudou-me a perceber que o melhor caminho é a aceitação. Se é fácil aceitar…? Tem dias…

    • Naná,
      são palavras sábias, sem dúvida, e faz-nos refletir que tudo na vida tem um propósito.
      Essa ideia tranquiliza-nos quando se instala o caos.
      Obrigada, Naná!
      Beijinhos,
      Ana

  3. Eu escrevia sempre uma frase de Dickinson em minhas agendas-diários ‘deixe aberta a porta do cuore para que o amor partir”… (tradução direta) e ontem ao trabalhar um texto-personagem me deparei com a fala ‘o amor é muito bonito na tela do cinema. É eterno e fim, mas na vida real ele é precisa ser apenas fim porque se fosse o contrário seria insuportável’.
    Dei risada e me lembrei das muitas pessoas que eu deixei ir porque sou sagitariana (preciso culpar alguém) e não gosto que as pessoas fiquem apenas por ficar, eu quero que elas fiquem porque é desejo, vontade… não sei insistir. E já estou velha demais (pausa para a gargalhada) para aprender certas coisas. rs

    bacio, vou lá ler o artigo

  4. Ana,
    sei bem esse sentimento. Nem me apetece pensar muito nele. Vivi-o com tanta dor que continua a ser difícil voltar a esse assunto. O Pedro escreve tão bem sobre sentimentos profundos, não é?
    Fica com um abraço,
    Guida

    • Guida,
      é uma dor num local do coração que não está minimamente preparado para ela.
      Só as palavras do Pedro me fizeram começar a verbalizá-la: para mim é importante libertá-la aos poucos porque está demasiado densa (apesar de já terem passado anos desde a ruptura…).
      Obrigada, Guida, e reenvio um abraço!
      Ana

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