“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Humanos

Cito de memória um testemunho de um militar do filme Human:

“A partir do momento em que cruzámos o olhar, deixei de vê-lo como inimigo, vi medo e vi um ser humano… e eu ia matar um ser humano. Foi transformador. ”

São tantos os depoimentos!

Intensos, generosos, perturbadores (e perturbados), lúcidos e muito humanos!

Somos nós: o melhor e o pior de nós.

A nossa essência cheia de poesia, amor, beleza mas também raiva, violência e ódio.

O que é que faz de nós Humanos?

human-poster

Será que tentamos todos os dias ser a nossa melhor versão?

Será que andamos a honrar a capacidade excepcional que nos foi dada, a Razão?

São muitos depoimentos que nos falam de Amor, da condição da Mullher, de Pobreza, de Família, de Identidade e Verdade, de Ódio e Violência.

Olhos nos olhos.

Primeira parte;

Segunda parte;

Terceira parte.

Falta-me ver o volume 3: hoje será o dia!

 

“I am one man among seven billion others. For the past 40 years, I have been photographing our planet and its human diversity, and I have the feeling that humanity is not making any progress. We can’t always manage to live together.
Why is that?
I didn’t look for an answer in statistics or analysis, but in man himself.”

Yann Arthus-Bertrand

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Envelhecer

Um dia vai ser assim:

Não vou estar incomodada com a flacidez da pele e com o facto de ter constantemente 2 kg a mais.

Já não vou saber o que é a “vertigem dos dias”.

Vou ter uma cadeira no quintal onde passarei as tardes a ler todos os livros que fui acumulando.

Vou usar socas porque, como caminho calmamente, não corro o risco de perdê-las.

envelhecer johanna bradford

Vou plantar flores e contemplá-las, enquanto espero que os meus amigos venham beber comigo o chá de todos os dias.

Não sairão de minha casa sem um ramo de flores.

Sou capaz de cortar a franja do cabelo, porque ficarei com ar de menina; terei tempo para esticá-la todos os dias.

Johanna Bradford envelhecer

Vou sentar-me e pensar em tudo o que vivi.

Ficarei serena com os meus erros e desculpar-me-ei.

envelhecer johanna bradford 1

Agradecerei, ao anoitecer, todos os dias de paz que me foram destinados e por todos os amores que vivi/vivo.

Depois de jantar, planearei as viagens que ainda nos falta fazer.

(Nota-se que ando a reler Alberto Caeiro?)

O meu futuro veio do blog Johanna Bradford.


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Confort Food

A Nigella usa muito a expressão “confort food” e essa estratégia permite-lhe comer muita manteiga e açúcar a qualquer hora do dia, sem arrependimentos…

Com o frio a chegar ao Alentejo, do que precisamos mesmo é de refeições que nos confortem, mas que não nos façam duplicar de tamanho.

Abóbora Recheada

abóbora recheada feijão

-Corto a abóbora manteiga em quatro

– Limpo as pevides e levo ao forno durante 30 minutos.

-Num tacho, cozinho, com pouco azeite, pedacinhos da parte de cima da abóbora, alho-francês e courgette (ou outros legumes que tenha).

-Acrescento o feijão já cozido, pimenta, noz-moscada, cominhos e erva-doce (pouca).

-Preencho as abóboras e sirvo com arroz branco ou sozinho.

É garantido: conforta e sacia!

 


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Superlativos

O frio já chegou ao Alentejo, naquele que dizem que vai ser o Inverno mais rigoroso das últimas décadas.

Não sei se é um sinal dos tempos e da necessidade de afirmarmos a nossa individualidade excepcional,

mas ultimamente reparo que há uma obsessão pelo uso dos superlativos relativos de superioridade.

Concordo que pertencer à mediania não tenha muita piada…

Pensando bem, talvez a meteorologia sinta necessidade de acompanhar o constante assumir de posições extremadas,

num momento em que o mundo avança demasiado depressa e desorientadamente.

O lema é “corre depressa”, mesmo que não se saibas para onde.

Parar para reflectir e tentar encontrar caminhos para os problemas que nos cilindram, enquanto espécie, todos os dias não é uma opção…

O mundo ocidental está, de facto, em crise!

Como é que ganham adeptos e seguidores homens/mulheres que apelam ao pior do ser humano, quer seja à xenofobia, à desumanidade, à intolerância, à mesquinhez ou até à chico-espertice?

Infelizmente, o fenómeno não se observa só nos E.U.A..

Uma sociedade Doente ou com muita Fome segue alguém que lhe acene com uma qualquer solução,

ainda que esta seja tornarmo-nos piores seres humanos e esquecermo-nos que devemos continuar a subir a curva ascendente da evolução da Humanidade a que pertencemos.

Todos.

sophie-blackall

Esta ilustração de Sophie Backall é belíssima, mas retrata um tempo e uma mentalidade que não queremos que volte. Nunca mais.

É melhor aumentarem a imagem…

 

 

 

 


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Old Friend

Nunca gostei de adágios nem de justificar as minhas acções recorrendo a frases feitas.

Fazê-lo sempre me pareceu um sinal de preguiça mental ou conservadorismo.

Mas e o que dizer das novas frases que abundam no FB e nos blogs?

Ainda por cima em inglês e tão bonitas?

Mordi a língua!

bees like honey 8

 

Mudar de cidade trouxe-me novos amigos e, passados 3 anos, sinto-me abençoada.

Mas e o que fazer às saudades dos amigos que estão longe?

Só a cumplicidade alimentada pelos anos, décadas, ou uma vida em comum, nos serena completamente.

Às vezes, basta uma frase, uma meia pergunta para dizer tanto: não é preciso contextualizar nem explicar o que sentimos em relação àquele assunto; é mesmo só partilhar um estado de alma, aquele momento, e seguir com mais força, bem mais tranquila e menos só.

Ann Street Studio friends

Saudades “danadas” de me ver nos olhos dos meus velhos amigos!

 

Frase: Bees love Honey

Imagem: Ann Street Studio


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Acreditar

O meu Pai cursou História, compilou expressões do Portugal rural do século XX  e agora escreve contos ouvidos na sua infância.

Não é por acaso que escolheu o quadro “As Respigadoras” de Millet, para ilustrar a capa da sua recolha de contos…

as-respigadoras_by_millet

Li esta frase no seu livro de contos; falava assim de uma das suas personagens, Khadija, a tecedeira da aldeia.

Khadija tinha conhecimentos assentes “nas três religiões do Livro, a Torá, a Bíblia e o Alcorão, e no conhecimento de algumas práticas do culto dos deuses telúricos da antiga Lusitânea, […];

procurava nesta diversidade divina encontrar a cura para as dificuldades do quotidiano.

Em consciência acreditava que todos os seus deuses flutuavam conjuntamente […]”.

“Khadija acreditava piamente que, pese embora todas as calamidades, como as guerras e outros fenómenos que se abateram sobre a humanidade e continuarão a acontecer, o mundo está condenado a sobreviver, para sempre, somente porque o homem não tem capacidade para o destruir;

Deus ou Alá nunca o permitiriam.”

Como o  nosso mundo precisa de Khadijas!