“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Be brave

Ouvir os outros, a sua forma de viver, de sentir a vida, sempre me fascinou.

Houve uma altura em que ouvia todas as entrevistas do Carlos Vaz Marques, o “Pessoal e Transmissível”, na TSF.

Aprendi muito e “conheci” pessoas incríveis.

Aproveito estes momentos para reflectir acerca da minha vida: percursos, condicionalismos, opções; certifico-me e questiono-me.

Francesca Bonatto tem uma história de vida inspiradora: deixou Itália e mudou-se para o México; foi lá que fez nascer uma marca, uma família e uma vida nova.

Admiro sempre quem não se queixa, mas age.

Todas as palavras da Francesca merecem uma reflexão e, para mim, são uma lição para quem quer atingir o auto-conhecimento e viver fiel à sua vontade, “encontrar o seu eu e despi-lo até perceber quem se é”.

“I am a very impulsive and instinctual person, so I believe that if your instinct is to go and make a radical change in your life and lifestyle, then you have to do it.

But you have to be brave enough to accept the challenges and difficulties along the way.

You have to be ready to leave your comfort zone and enter the unknown, which can be very scary.

Especially when it means freeing yourself of all the masks we have been used to wearing to face the world.

You have to take all of those away until your are completely “naked” and really take a deep look at yourself and ask yourself who you are and who you want to be.

This is tough, perhaps the toughest thing you can do. And though it is likely that in this process you will lose many of the comforts you were used to, you will gain into your soul and that is incomparable.

Loving yourself and the life you choose to have, that is living, that is true happiness.”

O texto foi retirado da Vogue.

 


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Boleima Rápida da Avó

No dia em que as queridas Anas fizeram a boleima de Castelo de Vide, falei da boleima da avó Silvana.

É uma versão mais rápida e simples da boleima, mas muito boa.

Ingredientes:

1 copo de leite

1 copo de óleo

4 copos de farinha com fermento

1 pitada de sal

500g de maçãs

açúcar amarelo e canela

Amassam-se todos os ingredientes muito bem e divide-se a massa em duas partes iguais.

Estende-se com o rolo metade da massa e cobre-se o fundo do tabuleiro.

Polvilha-se com açúcar e canela.

Cobre-se com as maçãs  cortadas em fatias e polvilha-se com mais açúcar e canela.

Coloca-se por cima a outra metade da massa já esticada com o rolo.

Polvilha-se novamente com açúcar e canela.

Antes de ir ao forno, conta-se com uma faca bem afiada; dão-se golpes até ao fundo do tabuleiros de forma a formar muitos quadrados.

Coze em forno moderado.

É fácil de fazer e é absolutamente deliciosa!


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Flores e andorinhas

A vida podia ser só assim…

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Com passarinhos a soltarem-se dos nossos dedos…

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E nós com eles, até nos crescerem asas.

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Mas há o mundo, há os outros e… existimos nós, com as nossas incoerências, conflitos, hormonas, aspirações e cobardias.

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Há alturas de lutar e alturas de pacificar.

Com a idade, fui pacificando cada vez mais, ou melhor, fui escolhendo as minhas lutas com mais parcimónia e lucidez.

A minha energia é preciosa.

Abomino perder tempo com grelhas, planificações, declarações, autorizações e papelões inúteis, em vez de mergulhar em literatura ou ajudar quem posso (verdadeiros objetivos da minha profissão), mas agora apenas faço um esgar de desagrado e tento ser uma “profissional cumpridora”.

Indigno-me com o exercício dos pequenos poderes por pessoas igualmente pequenas, mas agora digo palavrões em silêncio e viro costas.

Não suporto o cheiro a mofo das convenções, preconceitos e aparências, mas agora, a menos que essas pérolas estejam a ser exercidas, afasto-me a sete pés de conversas estupidificantes.

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Assim, enquanto posso, refugio-me no meu mundo, onde só entra quem for como eu, verdadeiro apreciador de flores e andorinhas.

Ilustração Dominique Fortin


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Cool Lemonade

Sheila é a autora do blog mais cool que conheço, o Cool Lemonade.

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O tempo aqueceu e eu só me lembro da Sheila, cheia de cor e de estilo e com um ar tão fresco e bronzeado.

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No Inverno, não me identifico com o estilo dela, mas no Verão vestiria qualquer um destes outfits com todo o prazer.

E este sorriso, também.

Dou por mim, pálida, carrancuda e a suspirar vezes demais.

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A minha rotina

A Lunna desafiou-me a publicar 6 fotografias, subordinadas a um tema, no sexto dia de cada mês.

O tema de Maio é “A minha rotina”.

Eu fiquei a pensar que a maior parte dos dias é rotineira, sem dúvida, e que, embora me queixe disso frequentemente, a minha rotina dá-me serenidade.

No entanto, subvalorizo-a e nem tenho fotografias dos momentos que se repetem.

Valorizo-os apenas quando, por algum imprevisto, os perco e aí, sim, percebo como são importantes e me estruturam.

9:00h- Percurso até à escola; 40 km pelo melhor Alentejo.

9:30h- Nos dias muito bons, há diálogos à volta da melhor literatura portuguesa, com jovens bonitos.

15:00h- Há momentos felizes com amigas colegas de trabalho; as mesmas que nos dão presentes com os super-poderes da Amizade.

18:30h- Nos dias perfeitos, ainda consigo chegar a casa com energia para entrar no mundo dos unicórnios e animais falantes…

 

22:30H- Tempo para me reencontrar.

E, com sorte, mergulhar na Literatura antes de adormecer.

Bacio, Lunna!


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Be

Elvas, 2017

Exercício do dia:

-Cada um vai perspectivar-se no futuro: daqui a 7 anos como é que gostariam que fosse a vossa vida? Os sonhos não têm limites, certo?

Respostas entre o “certinho” e o “louquinho” que me encheram de alegria… excepto num dos grupos de 25 jovens.

Neste grupo, 23 disseram: trabalhar, casar e ter filhos.

Nada contra o plano, a minha filha foi o melhor que me aconteceu e adoro o meu trabalho… mas de corações a bater há 18 anos esperava mais irreverência.

Preocupa-me o facto desta resposta reflectir uma vontade genuína (e se for isso encantada da vida!) ou se reflecte falta de alternativa, falta de ambição e falta de capacidade de sonhar.

Nesse caso, preocupa-me que, de alguma forma, os sonhos estejam a ser roubados aos jovens desta geração.

Numa Europa assustada e militarizada, num mundo inseguro, por onde proliferam a miséria material e a de espírito, nesta ditadura da produtividade e do individualismo, projectos como “dar a volta ao mundo”, “fazer voluntariado em África”,  “trabalhar noutro país”, “viver com todos os meus amigos num prédio”, “criar uma associação para salvar animais”, “fazer parte da equipa que vai descobrir/curar/inventar…”; “adoptar uma criança”  não se ouvem.

Parece que ninguém quer sobressair.

Mas o que será de nós se ninguém perseguir utopias?

O que será de cada jovem que negar a sua vontade reprimida de engolir o mundo?

Talvez seja uma das ideias mais importantes que tento transmitir aos meus alunos.

Uma ideia nem sempre fácil de transmitir e que, ultimamente, tem-me feito sentir estranhamente subversiva.