“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

3 Gerações

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Li algures que, para mudar um padrão social, são necessárias 3 gerações.

Como ser humano, mulher e mãe de uma rapariga, espero que os trilhos percorridos jamais retrocedam.

Felizmente, eu não posso comparar a minha adolescência com a da minha mãe ou com a da minha avó que nasceu em 1925: duas mulheres fortes, mas condicionadas pelo que os outros esperavam delas.

A minha filha está ainda mais afastada desse paradigma exigido pela família e pela sociedade; está também distante daquele que orientava as miúdas que cresceram nos anos 80 numa pequena cidade junto ao mar.

Como isso me deixa feliz!

Hoje, já adulta, devo muito à minha filha pré adolescente.

Foi com ela que perdi totalmente o medo de palavras como menstruação, vulva/vagina, pénis, testículos, orgasmo ou relações sexuais.

Um dos projetos dela para este ano letivo é fazer parte da Associação de Estudantes da escola e lutar para que se disponibilizem recolectores menstruais gratuitos nas casas de banho. Está muito perturbada com a pobreza menstrual que ainda existe no nosso país. Eu também estou, porque descobri há poucos meses que há várias crianças, em Estremoz, que não têm casa de banho!

Eu passei metade da minha vida sem conhecer a total dimensão do meu clitóris e sem dintinguir vulva e vagina. A minha filha está perfeitamente familiarizada com o seu órgão reprodutor.

Eu ainda sofri ecos de uma tradição patriarcal que insinuava uma superioridade masculina, não só física, mas também intelectual e de usufruto de direitos.

A minha filha nem concebe tal absurdo.

Eu vi/vejo a minha vida sexual perscrutada e cresci com alertas em relação ao que “parece mal”.

Se tudo correr dentro do previsto, a minha filha há-de viver a sua sexualidade como bem lhe der na gana!

Pouco antes de eu nascer, a NASA lançou uma cápsula para o espaço com informação sobre a vida na Terra. O homem foi com pénis e testículos; a mulher embarcou sem vulva.

Parece que a primeira versão do desenho era demasiado gráfica. Podia assustar os marcianos, uma vez que incomodava, sem dúvida, os terráqueos.

Há ainda um percurso, mas penso que as questões que atormentaram os adolescentes do passado já não atormentarão os adolescentes do futuro. Sou optimista.

Receio que demasiado optimista, porque vivemos na era da harmonização facial, corporal e genital.

Todas estas imagens são de um livro muito bem humorado mas muito sério da sueca Liv Stromquist, O Fruto Proibido. Leitura obrigatória!

Autor: Frasco de Memórias

http://frascodememorias.com

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