“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


2 comentários

Calendário do Advento

O Calendário do Advento que interessa é oferecido por Anabela Mota Ribeiro.

“Advento significa chegada. Essa chegada pressupõe uma espera e é uma promessa.

O Calendário do Advento anuncia, dia a dia, o aparecimento de um ser, de algo que se inicia.

Ou seja, uma vida nova, um nascer de novo.”

Gosto de recomeços (não tanto de balanços) e o meu recomeço, por excelência, começa agora e prolonga-se por Janeiro, o mês de Jano, o deus de todos os princípios.

Aldina Duarte é a primeira entrevistada de Anabela Mota Ribeira e eu guardo para este novo ciclo algumas frases da sua autoria, acerca do maior exemplo de resistência e rebeldia da cultura ocidental, Jesus.

Que ideia revolucionária essa de olhar todos os seres humanos como iguais e dignos de bondade e compaixão!

2000 anos depois, ainda é extraordinária, mesmo dentro da cultura europeia!

Ser-se de esquerda é parecido com ser-se cristão. 

Eu não sou católica, mas sou devota do cristianismo.

Adoro toda a história de Jesus. 

E acho que se se partir do Amor, vai-se sempre num caminho bom.”

Sucedem-se as entrevistas diárias, neste Calendário do Advento, com testemunhos e relatos de outros Natais, alguns mais mitificados, outros mais reais. Misturam-se os testemunhos com as minhas memórias dessa noite de entusiasmo, lareira, luzinhas, mas também de doces e rituais.

Gostei do Natal até ser jovem adulta.

Depois, por emancipação ou desencanto, aborreci-me.

Nada é estático e, como em todas as famílias, houve perdas… Felizmente, também fomos presenteados com duas meninas que devolveram toda a ternura ao Natal.

É agora a vez destas crianças viverem o Natal mais que perfeito, talvez mais despertas do que eu para as particuaridades e reformulações familiares.

Para os adultos, talvez seja mais premente reflectir nas palavras de Aldina Duarte.

Feliz Natal!

Bruno Barbey nasceu em Marrocos, mas ficou com dupla nacionalidade: francesa e suiça.

Fotografou durante 50 anos por todos os continentes e acreditou que a fotografia é “a linguagem que pode ser compreendida no mundo inteiro”.

Esteve em Portugal nos anos 60 e 90 e fotografou, em Óbidos, estas mulheres perfumadas.

Advertisement


2 comentários

Mulher de nuvens

Apesar de sempre ter revisitado autores clássicos, ultimamente dou por mim a procurar autores e manifestações artísticas comprometidas com o mundo atual.

Estamos a viver uma fase muito conturbada da humanidade e eu preciso de perceber como é que se mantém a Esperança em tempos negros.

É claro que a Arte não tem de falar da inflação, nem dos salários cada vez mais curtos e dos meses cada vez mais longos, não precisa de testemunhar o caso da minha vizinha que não tem como alimentar os filhos, mas nós, que vemos e vivemos tudo isso, não nos podemos transformar em animais raivosos a defender o osso; o mesmo osso com que bateremos na cabeça dos outros e, brevemente, na nossa própria cabeça, quando nos faltarem os alimentos ou a sanidade.

Ferreira Gullar e a sua fina ironia sempre me salvaram.

Procuro os poemas onde todos tenham lugar.

Não há Vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão


O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Jonh Malkovich apresentou em Lisboa o espetáculo “The Infamous Ramirez Hoffman”, adaptado do livro do chileno Roberto Bolaño, A Literatura Nazi nas Américas.

O infame Hoffman tinha pretensões a artista, era criativo, tinha sentido estético, mas ignorava a ética. Mais tarde, sem surpresa, tornou-se um assassino.

Com as devidas distâncias, hoje, um artista que viva na torre de marfim, envolto na estética, desilude-me em termos éticos; assume, com o silêncio, uma ruidosa cumplicidade com o Mal.

Prefiro, sem dúvida, a frase de Lídia Jorge:

Os escritores estão debaixo da mesa a ver que migalhas caem e quem vive delas.

É preciso estar com quem vive de migalhas.”


2 comentários

Recuperar

Há dois anos que o meu lema de consumista em recuperação mudou:

menos compras, mais Pinterest.

No entanto, quando há uma exposição diária e não se compra roupa com a frequência de outrora, entra-se facilmente na repetição maçadora de outfits.

Sobretudo no Inverno.

Sobretudo quando se é muito friorenta.

Para uma variação cromática, já comecei a alternar o total black com o total “galão”.

Ou total capuccino, para me reconciliar com os castanhos de que ando há décadas injustamente afastada.

Estas são as botas mais cool dos últimos tempos, compradas nos saldos do ano passado.

Ando a conter-me para não prevaricar com a versão castanha.

Talvez ainda quebre a minha determinação nos saldos, se encontrar mesmo uma extravagância que valha a pena.

Ou talvez me contenha e leve a passear a minha extravagância de há dois anos.

Juntamente com o mood do último ano.

No novo ano, vou arriscar nestes olhos!

Em períodos de crise, o “efeito batom” é incontornável – um luxo pouco acessível que funciona como escape e ilumina a imagem.

Em “pendant” com a luz interior, ajuda qualquer look!

Let´s shine!