“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Gelado de mirtilo e iogurte

A sobremesa preferida da Beatriz são os gelados.

Eu tento contornar a questão do açúcar em excesso e das gorduras saturadas que a maior parte dos gelados industriais tem fazendo os gelados em casa.

Estes são simples de fazer e foram feitos (quase) integralmente pela Beatriz.

Para 4-6 gelados:

100g de mirtilos

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de sopa de sumo de limão

1 chávena de iogurte grego açucarado (ou acrescentar 2 colheres de mel, se se optar por iogurtes sem açúcar)

1- Misturar os mirtilos, o açúcar e o sumo de limão numa caçarola.

2-Deixar cozer em lume brando durante 5 minutos.

3- Deixar a mistura de mirtilos arrefecer e, de seguida, reduzi-la a puré numa liquidificadora.

4- Misturar os mirtilos e o iogurte mas de forma pouco pouco homogénea (ou dispô-los em camadas nas formas de gelado), para que os gelados fiquem manchados (tipo tie-dye!).

5- Congelar durante 4 horas.

Nós fizemos duas versões: uma com mirtilos e outra com morangos.

Não dispusemos a mistura em camadas porque a Beatriz não gosta de encontrar aglomerados de fruta nos gelados, mas se fizerem como na receita original o efeito é visualmente mais invulgar.

Esta receita foi adaptada do livro de Linda Lomelino: Gelados Caseiros.

Conhecem o blog dela? É qualquer coisa!

 

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Otium

A velocidade provoca a blindagem do coração.

Os acontecimentos sucedem-se assim como as emoções, acumulam-se em camadas até conseguirmos parar, reflectir, decidir e interiorizar.

Até lá, andamos anestesiados: insensíveis à desgraça alheia , paralisados para agir conscientemente ou para ver o outro, incapazes de nos olharmos por dentro.

A introspecção requer tempo e paz.

Há uns anos era mais fácil; tínhamos trabalho e tarefas, mas não existiam as distracções, a dinâmica cibernética e a parafernália informativa que existe hoje.

Por outro lado, apesar de assolados, hoje, vivemos num pavor do aborrecimento, do não fazer nada, do esperar.

Um medo constante de não saber o que está acontecer nos antípodas ou que alguém se esqueça de nós porque não aparecemos nas redes sociais

Esquecemo-nos que só a espera e o espaço temporal liberta o cérebro.

O meu está mesmo a precisar de ser libertado!

Ilustrações do brasileiro William Santiago.

 


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Com o que sonham os gatos?

Os gatos até podem não fazer habilidades inteligentes, mas aquele seu ar misterioso faz-me acreditar que sabem qualquer coisa que eu não sei.

Hão-de reparar, por muito vadios ou maltratados que andem, encontram sempre momentos de prazer no seu dia: ou uma sombra fresca que convida à sesta ou um raio de sol que lhes aquece o corpo e os envolve num mundo só deles.

Este texto de Manuel António Pina retrata bem este mistério… e outros… dos gatos e dos homens!

Onde se fala de gatos e de homens

Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda).

Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.

Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar?

Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.

E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.

Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo.”

JN, 09/11/2005

Ilustração: Taiyo Matsumoto.

 

 


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Boleima de maçã

A boleima é um dos meus doces tradicionais favoritos do Alentejo;

mas tem de ser a boleima de maçã e caseira, claro.

A da Avó Silvana é das melhores, mas esta que as Anas fizeram está igualmente excelente.

Ingredientes:

1kg de massa de pão;

250g de banha de qualidade (de porco preto);

açúcar amarelo;

canela;

50g de farinha de trigo;

maçãs e nozes picadas.

1- Trabalha-se a massa de pão com farinha.

pesar-a-massa-de-pao

2- Em seguida, vão-se fazendo furos na massa onde se vai introduzindo a banha, mas sem amassar.

ingredientes-da-boleima

3-Fazem-se bolos redondos desta massa, que se espalmam e se colocam num tabuleiro.

4- Polvilha-se o centro destes discos com açúcar e canela e, querendo, fatias finas de maçã e nozes picadas.

macas-cortadas-para-boleima

recheio-da-boleima-de-maca-e-nozes

5- Põe-se em cima de cada disco uma bola de massa também achatada, mas de diâmetro inferior, de modo a deixar uma orla em toda a volta da rodela.

6-Polvilha-se novamente a boleima com açúcar e canela.

boleima-antes-de-ir-ao-forno

7- Da boleima inferior, puxam-se quatro tiras que se fazem passar sobre a boleima juntando-se ao meio.

(Colocam-se gotas de água por cima da boleima, antes desta ir ao forno, para o açúcar, que foi polvilhado, não queimar: dica preciosa da Ana).

8- Levam-se a cozer em forno moderadamente quente.

boleima-de-maca-depois-de-cozida

É um perigo: o nosso tabuleiro desapareceu em dois dias!

A receita da Boleima de Castelo de Vide está no Livro, na página 255.

 

 

 

 

 


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Bolo finto

No Alentejo, o bolo finto é um clássico.

Devo dizer que não aderi de imediato, porque a aldeia dos meus antepassados é uma aldeia de padeiras e o Bolo das Alhadas educou-me o paladar da infância.

O bolo finto tem um sabor intenso a erva-doce que não me agrada;

no entanto, eu só tinha provado bolo finto industrial.

Que sabia eu?

Não imaginam como é diferente do cozido em casa.

Quando a Ana nos desafiou para uma tarde no forno, nos planos também estava o bolo finto.

Bolo Finto

Ingredientes:

1,5 kg de farinha

500g massa de pão (receita já testada aqui)

1,5dl de leite

12g de canela

12g de erva-doce

1/2 cálice de aguardente

raspa de casca de 1 laranja

1,5dl de azeite

1 casca de limão

10 a 12 ovos (conforme o tamanho)

1-Coze-se a erva-doce num pouco de água, côa-se a água e guarda-se.

2-Ferve-se o azeite com a casca de limão.

3-Peneira-se a farinha para um alguidar e junta-se-lhe o pão em massa, o leite, a canela, o açúcar, a aguardente, a raspa da casca de laranja e vão-se amassando estes  ingredientes, primeiro com a água de cozer a erva-doce e depois com os ovos, juntando-os à medida que a massa os vai absorvendo.

4-Quando a massa fizer bolhas, polvilha-se com mais farinha, tapa-se com um cobertor e deixa-se levedar durante 24 horas.

5-Em seguida, e sempre com a ajuda da farinha, divide-se a massa em vários bocados de modo a fazerem-se bolos redondos com o diâmetro de 10 a 12 cm.

tender-e-moldar-bolo-finto

A fintar os bolos fintos!

A fintar os bolos fintos!

bolo-finto-em-massa

6-Colocam-se em tabuleiros, deixam-se levedar um pouco e cozem-se em forno forte.

Uma equipa extraordinária... amigos queridos!

Uma equipa extraordinária… amigos queridos!

6-À medida que os bolos forem saindo do forno, pincelam-se com ovo batido.

bolo-finto-sair-do-forno

Eu comi um bolo numa tarde, mas aqui em casa há quem tenha comido um bolo numa dentada!

A receita foi retirada do livro que há em casa de todos os portugueses, na página 255 – Bolos de Festa de Alpalhão.

E ainda me falta mostrar-vos a Boleima de Maçã!