“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Alternância

O contraste luz/sombra, na ilustração, revela uma delicadeza que atrai o olhar.

É um jogo de subtilezas que faz percorrer todos os pontos de encontro dos tons simétricos.

A beleza do Outono vive desta alternância e de todas as matizes que surgem decorrentes de um sol oblíquo e apressado.

O encanto da vida humana resulta também deste contraste luz/sombra.

Mas é esse balanço que nos aterroriza!

É por causa dessa alternância que temos medo de assumir que somos plenamente felizes.

Mas também é essa oscilação que nos dá esperança num dia negro.

Votos de um dia luminoso!

Ilustrações do Pinterest: não consegui identificar os ilustradores, mas são japoneses…

 

 

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Esboço

“When you get older, you realize it´s a lot less about your place in the world but your place in you.

It´s not how everyone views, but how you view yourself“.

Natalie Portman

 

O lado bom de crescer talvez seja perceber e apaziguar-me com o facto da vida ser uma constante transformação… um esboço constante do lugar onde quero chegar.

O meu poder consiste em escolher as cores e os pequenos traços, fitar o horizonte e apreciar o voo.

A minha vida é assim: eu cada vez mais nua para mim própria… e a tentar escolher as melhores cores para este desenho.

Have a nice trip!

Ilustração: Killien Huynh.


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Sozinha

O sonho da maior parte das jovens que conheço não inclui viver sozinha.

Essa ideia recebe um nariz torcido e uns olhos abertos de espanto.

E eu espanto-me com esse espanto.

Não fui uma jovem muito irreverente, mas assim que comecei a ficar independente quis a minha casa.

Demorou, porque é muito mais económico partilhar.

Vivi 4 anos sozinha, em casas tão pequenas que não conseguia simular o homem de Vitrúvio, mas as mudanças foram sempre muito entusiasmantes e as noites muito, muito tranquilas.

Não me lembro de ter medo ou de sentir-me infeliz.

Lembro-me de acalmar facilmente na minha toca.

Ainda é assim muitas vezes.

Durante esse tempo, aprendi muito sobre mim, sobre as minhas qualidades, sobre como ultrapassar as minhas fraquezas e sobre as minhas limitações.

Houve dias difíceis, sobretudo devido a esses confrontos comigo, mas recordo esses anos como uma experiência de paz e luz.

Ficou-me, destes tempos, uma grande necessidade de estar em silêncio, com tempo e a sós.

Características que não são as mais esperadas numa mãe.

Valores muito difíceis de manter numa casa cheia e, felizmente, movimentada.

Hoje, numa outra fase da vida, de partilha constante e intensa, saboreio com calma e liberdade os minutos em que fujo para tomar um café…

só comigo!

Yaoyao Ma Van viveu 7 anos sozinha e recomenda, como testemunham as ilustrações.

É verdade, estou a ser pouco rigorosa: vivi sempre com dois gatinhos super-companheiros!

 

 


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Otium

A velocidade provoca a blindagem do coração.

Os acontecimentos sucedem-se assim como as emoções, acumulam-se em camadas até conseguirmos parar, reflectir, decidir e interiorizar.

Até lá, andamos anestesiados: insensíveis à desgraça alheia , paralisados para agir conscientemente ou para ver o outro, incapazes de nos olharmos por dentro.

A introspecção requer tempo e paz.

Há uns anos era mais fácil; tínhamos trabalho e tarefas, mas não existiam as distracções, a dinâmica cibernética e a parafernália informativa que existe hoje.

Por outro lado, apesar de assolados, hoje, vivemos num pavor do aborrecimento, do não fazer nada, do esperar.

Um medo constante de não saber o que está acontecer nos antípodas ou que alguém se esqueça de nós porque não aparecemos nas redes sociais

Esquecemo-nos que só a espera e o espaço temporal liberta o cérebro.

O meu está mesmo a precisar de ser libertado!

Ilustrações do brasileiro William Santiago.

 


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Alienar

Uma marca é muito mais do que o nome de um produto;

um logotipo tem como objectivo suscitar imagens, estilos de vida e sonhos.

Eu, a viver o Alentejo profundo, sou a cliente alvo da marca nova-iorquina, Soludos:

sonho com uma vida de viagens e nomadismo, mas com algum luxo e estilo, ainda que seja na Amazónia ou no Sahara.

A estratégia desta marca consiste em  publicar fotos de diários de viagem de bloggers, transmitindo-nos a ideia de que aquele glamour das imagens está ao alcance de qualquer um de nós (se comprarmos o produto, claro…).

Fico sempre impressionada com fotos arrumadas e frescas, independentemente da temperatura e da poeira do ar.

São produções fotográficas disfarçadas, eu sei, que fixam um momento, mas o objectivo é bem atingido: suspiro e guardo a marca Soludos num espaço do meu cérebro reservado a um ideal de vida perfeita.

Itália perfeita

França? Perfeita.

Croácia mais que perfeita!

Marrocos

Bali

Índia

Missão cumprida, Soludos!

Conquistada!

Se não tivesse noção do que está a acontecer-me, ia já endividar-me, calçar Soludos e calcorrear, glamourosamente… Estremoz!

 

 


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Icons

-O que sabes, hoje, sobre os homens que não sabias há 15 anos?

-Acho que são de outro planeta: o esquema mental é mesmo diferente do feminino, e o meu relacionamento com eles melhorou desde que interiorizei essa evidência;

mas são muito mais frágeis e sensíveis do que eu julgava.

Admiro o lado lúcido, inteligente, prático e descomplicado dos homens que conheço (e admiro!), mas com o passar dos anos venho a identificar-me mais com o planeta feminino.

Nem sempre assim foi, eu tinha grandes teorias acerca da igualdade e dizia que apenas me interessava o ser humano que tinha diante de mim… agora reparo que gosto de seres humanos mas que os seres humanos que mais prezo são em maior quantidade (não qualidade!) do género… feminino.

Andarei sugestionada?

Será coincidência?

Uma fase?

Num tempo em que se quer igualdade e homogeneidade a qualquer custo, parece que não é muito moderno assumir que, nos últimos anos,  tenho gostado mais de estar rodeada de mulheres do que de homens.

Para já, não elaborei qualquer teoria, é apenas uma constatação.

Não sei até que ponto este mundo de mulheres não influencia a Beatriz…

Uma das suas últimas questões:

-Pai, não tens pena de não ter nascido menina?

Tenho de rever-me; não quero educar para qualquer tipo de discriminação.

Quanto à Arte, não tem género ou, pelo menos nesse campo, a minha sensibilidade não demonstra preferência:

há intérpretes, compositores, escritores, actores, pintores, escultores de todos os géneros e geniais. Ponto!

dollyparton Libby Vander Ploeg

 

Lauren Bacall

Frases ilustradas por: Libby Vander Ploeg.