“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Lembranças

A Lunna desafiou-me a publicar 6 fotografias, subordinadas a um tema, no sexto dia de cada mês.

O tema de Junho é: Lembranças.

Fiquei perdida no tema.

O nome deste blog não é Frasco de Memórias por acaso:

acredito que nós somos construídos pelas memórias que acumulamos, refletimos e revivemos;

também me sinto totalmente responsável pelas memórias que a Beatriz guarda, sobretudo nestes primeiros anos de vida.

Este blog nasceu por esses dois motivos e porque quero apaziguar-me comigo e com o presente, registando o melhor dos dias.

Como se vê, as ideias pulverizam-me o pensamento…

O que são afinal lembranças, segundo o dicionário de língua portuguesa?

1. Lembrança: “Ato mental pelo qual a memória reproduz um facto passado”.

(A minha missão actual consiste em coleccionar belos factos para que os actos mentais da Beatriz sejam profundamente felizes.)

2. Lembrança: “Recordação”.

(Estas rugas ficarão, para sempre, marcadas nestes pezinhos e na minha “recordação”.)

3. Lembrança: “Apontamento para auxiliar a memória”.

(As fotografias são um dos meus “apontamentos” preferidos: esta tem 88 anos).

 

4. Lembrança: “Alvitre, ideia”.

(Um método, para não esquecer uma bela ideia encontrada, é registá-la: qualquer forma é válida.

Esta é de Afonso Cruz, do meu livro predilecto.).

5. Lembrança: “Presente, dádiva, geralmente de pouco valor”.

(Estes presentes são mesmo os que mais aprecio, cheios de afecto).

6. Lembrança: “Objecto vendido ou comprado para fazer lembrar algo ou alguém, geralmente um local”.

(Quando sou muito feliz num local, gosto de trazer alguma coisa que materialize esse momento e o encaminhe para minha casa: pode ser um ramo, uma flor, uma pedra, uma boneca – esta “lembrança” veio da minha primeira visita ao Talasnal com a Beatriz.).

Bacio, Lunna!


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Perspectivas

Coimbra, 2012

-Como é que uma festa académica, a Queima das Fitas, tem como atracção musical Quim Barreiros?

-Professora, não seja elitista!

(Eu a sentir-me entre o amarelo e o cor de laranja, metafórica e literalmente!)

Elvas, 2017

-A repressão do Estado Novo… limitação da liberdade de expressão… censura e PIDE…

-Professora, precisamos de Salazar.

(Eu a ficar vermelha, metafórica e literalmente!)

 

Sem radicalismos, sinto-me muito mais desconfortável com a segunda posição.

Espero de todos os jovens uma inocência e uma Fé no Mundo e no Homem que nem sempre lhes corre nas veias.

O mundo mudou e a esperança vai-se escoando, embora a maior parte deles agarre o futuro, entre notícias constantes de desemprego, ataques terroristas, radicalismo e demagogia política.

Um discurso alarmista terá consequências:

uma geração desconfiada e assustada viverá no individualismo, na intolerância e, consequentemente, na insensibilidade relativamente aos mais frágeis.

Esta geração não merece o cheiro a mofo do quarto escuro.

Quero que os seus olhos brilhem e o seu coração seja de todas as cores!

Imagens de Rosie Hardy.

 

 


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Be brave

Ouvir os outros, a sua forma de viver, de sentir a vida, sempre me fascinou.

Houve uma altura em que ouvia todas as entrevistas do Carlos Vaz Marques, o “Pessoal e Transmissível”, na TSF.

Aprendi muito e “conheci” pessoas incríveis.

Aproveito estes momentos para reflectir acerca da minha vida: percursos, condicionalismos, opções; certifico-me e questiono-me.

Francesca Bonatto tem uma história de vida inspiradora: deixou Itália e mudou-se para o México; foi lá que fez nascer uma marca, uma família e uma vida nova.

Admiro sempre quem não se queixa, mas age.

Todas as palavras da Francesca merecem uma reflexão e, para mim, são uma lição para quem quer atingir o auto-conhecimento e viver fiel à sua vontade, “encontrar o seu eu e despi-lo até perceber quem se é”.

“I am a very impulsive and instinctual person, so I believe that if your instinct is to go and make a radical change in your life and lifestyle, then you have to do it.

But you have to be brave enough to accept the challenges and difficulties along the way.

You have to be ready to leave your comfort zone and enter the unknown, which can be very scary.

Especially when it means freeing yourself of all the masks we have been used to wearing to face the world.

You have to take all of those away until your are completely “naked” and really take a deep look at yourself and ask yourself who you are and who you want to be.

This is tough, perhaps the toughest thing you can do. And though it is likely that in this process you will lose many of the comforts you were used to, you will gain into your soul and that is incomparable.

Loving yourself and the life you choose to have, that is living, that is true happiness.”

O texto foi retirado da Vogue.

 


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Flores e andorinhas

A vida podia ser só assim…

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Com passarinhos a soltarem-se dos nossos dedos…

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E nós com eles, até nos crescerem asas.

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Mas há o mundo, há os outros e… existimos nós, com as nossas incoerências, conflitos, hormonas, aspirações e cobardias.

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Há alturas de lutar e alturas de pacificar.

Com a idade, fui pacificando cada vez mais, ou melhor, fui escolhendo as minhas lutas com mais parcimónia e lucidez.

A minha energia é preciosa.

Abomino perder tempo com grelhas, planificações, declarações, autorizações e papelões inúteis, em vez de mergulhar em literatura ou ajudar quem posso (verdadeiros objetivos da minha profissão), mas agora apenas faço um esgar de desagrado e tento ser uma “profissional cumpridora”.

Indigno-me com o exercício dos pequenos poderes por pessoas igualmente pequenas, mas agora digo palavrões em silêncio e viro costas.

Não suporto o cheiro a mofo das convenções, preconceitos e aparências, mas agora, a menos que essas pérolas estejam a ser exercidas, afasto-me a sete pés de conversas estupidificantes.

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Assim, enquanto posso, refugio-me no meu mundo, onde só entra quem for como eu, verdadeiro apreciador de flores e andorinhas.

Ilustração Dominique Fortin


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A minha rotina

A Lunna desafiou-me a publicar 6 fotografias, subordinadas a um tema, no sexto dia de cada mês.

O tema de Maio é “A minha rotina”.

Eu fiquei a pensar que a maior parte dos dias é rotineira, sem dúvida, e que, embora me queixe disso frequentemente, a minha rotina dá-me serenidade.

No entanto, subvalorizo-a e nem tenho fotografias dos momentos que se repetem.

Valorizo-os apenas quando, por algum imprevisto, os perco e aí, sim, percebo como são importantes e me estruturam.

9:00h- Percurso até à escola; 40 km pelo melhor Alentejo.

9:30h- Nos dias muito bons, há diálogos à volta da melhor literatura portuguesa, com jovens bonitos.

15:00h- Há momentos felizes com amigas colegas de trabalho; as mesmas que nos dão presentes com os super-poderes da Amizade.

18:30h- Nos dias perfeitos, ainda consigo chegar a casa com energia para entrar no mundo dos unicórnios e animais falantes…

 

22:30H- Tempo para me reencontrar.

E, com sorte, mergulhar na Literatura antes de adormecer.

Bacio, Lunna!


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Be

Elvas, 2017

Exercício do dia:

-Cada um vai perspectivar-se no futuro: daqui a 7 anos como é que gostariam que fosse a vossa vida? Os sonhos não têm limites, certo?

Respostas entre o “certinho” e o “louquinho” que me encheram de alegria… excepto num dos grupos de 25 jovens.

Neste grupo, 23 disseram: trabalhar, casar e ter filhos.

Nada contra o plano, a minha filha foi o melhor que me aconteceu e adoro o meu trabalho… mas de corações a bater há 18 anos esperava mais irreverência.

Preocupa-me o facto desta resposta reflectir uma vontade genuína (e se for isso encantada da vida!) ou se reflecte falta de alternativa, falta de ambição e falta de capacidade de sonhar.

Nesse caso, preocupa-me que, de alguma forma, os sonhos estejam a ser roubados aos jovens desta geração.

Numa Europa assustada e militarizada, num mundo inseguro, por onde proliferam a miséria material e a de espírito, nesta ditadura da produtividade e do individualismo, projectos como “dar a volta ao mundo”, “fazer voluntariado em África”,  “trabalhar noutro país”, “viver com todos os meus amigos num prédio”, “criar uma associação para salvar animais”, “fazer parte da equipa que vai descobrir/curar/inventar…”; “adoptar uma criança”  não se ouvem.

Parece que ninguém quer sobressair.

Mas o que será de nós se ninguém perseguir utopias?

O que será de cada jovem que negar a sua vontade reprimida de engolir o mundo?

Talvez seja uma das ideias mais importantes que tento transmitir aos meus alunos.

Uma ideia nem sempre fácil de transmitir e que, ultimamente, tem-me feito sentir estranhamente subversiva.

 


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Mudança

No último dia do ano de 2016, conversava com a minha prima Graça acerca dos melhores votos para 2017.

Acordámos que os votos deviam incluir a palavra “mudança”.

2017 devia ser um ano de mudança; para melhor, claro.

Temos este hábito bem português de nos queixarmos e andamos com o fado entranhado nos ossos, mas esquecemos os exemplos dos nossos antepassados que conseguiram, mais ou menos pacificamente, fazer mudanças.

Às vezes, as mudanças podem ser bem pequenas, mas tornam a vida melhor:

seguem algumas que estou a conseguir fazer, com dias melhores do que outros!

1- Reduzir o consumo de doces, levar mais fruta para o trabalho e cuidar de mim;

2-Evitar redes sociais que me transmitem a sensação de que acabei de perder o meu tempo: Facebook e Instagram;

3-Reduzir a lista de afazeres diários e ver filmes/séries ao serão, em alternância com leituras;

4-Comprar menos “coisas”;

5-Cuidar mais do lar e seus habitantes (humanos, animais e vegetais);

7-Colocar um ponto final no trabalho do dia, antes de ele me deixar K.O..

8-Evitar pessoas e situações potencialmente tóxicas;

9-Tentar ser mais amável para todas as pessoas;

10-Só fazer granola quando tiver um número considerável de encomendas, ou seja, haverá fins-de-semana de granola, mas não haverá granola todos os fins-de-semana.

 

Li este texto inspirador acerca da mudança:

“Há um dia em que voltas a escolher.

Respiras o equilíbrio entre o desiludir ou desiludires-te, entre o respeitares ou respeitares-te, entre o fazer feliz ou seres {tu} feliz.

Levas o sol debaixo da pele, a coragem dentro do coração e a simplicidade na palma da tua mão.

Há um dia em que acordas a decidir: por mais que a paz de espírito não pague as contas, é dela que te alimentas.

Porque viver não é sobre o que te falta, é sobre o que fazes com o que tens.”

Às nove no meu blog : texto.

Ann Street Studio: imagens – vejam este post!