“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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A minha cidade

A Lunna desafiou-me a publicar 6 fotografias, subordinadas a um tema, no sexto dia de cada mês.
O tema de Julho é: A minha cidade.

O que fazer quando a vida nos oferece 3 cidades?

Figueira da Foz, a cidade onde nasci, a 20 metros do mar.

A cidade do vento frio na cara que arrepia e desperta.

A cidade que é “o lugar certo”; a cidade pôr do sol, a cidade da menina do mar.

A cidade aonde voltarei para buscar todos os instantes que não vivi junto do mar – Sophia.

Coimbra, a cidade onde cresci e descobri a Amizade: amigos de papel  e amigos de carne e espírito. Para a vida.

Quis o destino que, anos mais tarde, fosse aqui que eu conheceria o Amor: a Beatriz nasceu em Coimbra.

Estremoz, a cidade de adopção.

A cidade das janelas bonitas, do mercado, do dia-a-dia tranquilo, dos vizinhos, do café Delta, do Lar.

Bacio, Lunna!

Adorei participar neste projecto!

Grazie mille!


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Verdade

Será a verdade um valor tão indiscutível quanto nos querem fazer crer?

Viver em verdade connosco e com os que nos são próximos, sem dúvida, mas quantas vezes mentimos ao longo do dia?

Tinha um lema com uma colega de trabalho que consistia em nunca dizermos uma à outra que estávamos com ar cansado ou doente.

A partir do momento em que alguém nos apontasse essa verdade sentíamo-nos fatalmente com olheiras até aos cotovelos e febris.

Seguem 5 mentirinhas que uso para sobreviver a conversas de circunstância:

1-Que idade achas que tenho? (a pergunta mais armadilhada que conheço)

R: (Acho que tens 45 anos, mas como perguntas queres ouvir…) 40, não?

2-O que achas destas calças?

R: Giras! (agora já sabem; se eu não disser mais nada é porque não são fantásticas)

3-Tenho razão, não tenho?

R: Alguma (pouca e a que tens não vale nada!)

4-Achas que sou chato?

R: Não (mas já respondi a isso 10 vezes na última meia-hora!).

5- Estou mais gorda?

R: Não (nunca! lá agora!)

A propósito de dizer coisas fofinhas, o que eu gostei desta colecção de postais para enviar, quando não estamos para uma mentira piedosa ou quando fica o fastio estampado na nossa cara…

Que vontade de enviar emails!

Do ilustrador Killien Huynh.

 


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Com o que sonham os gatos?

Os gatos até podem não fazer habilidades inteligentes, mas aquele seu ar misterioso faz-me acreditar que sabem qualquer coisa que eu não sei.

Hão-de reparar, por muito vadios ou maltratados que andem, encontram sempre momentos de prazer no seu dia: ou uma sombra fresca que convida à sesta ou um raio de sol que lhes aquece o corpo e os envolve num mundo só deles.

Este texto de Manuel António Pina retrata bem este mistério… e outros… dos gatos e dos homens!

Onde se fala de gatos e de homens

Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda).

Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.

Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar?

Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.

E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.

Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo.”

JN, 09/11/2005

Ilustração: Taiyo Matsumoto.

 

 


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Praia

 

Que saudades de descansar os olhos e o corpo no mar.

Todos os anos tenho o mesmo problema: apetece-me celebrar a nova época estival com um fato de banho novo.

Dramas de quem tenta sobreviver aos 40ºC da planície alentejana…

Algumas imagens são daqui.

Outras daqui. 

Mas quase todos os biquínis e fatos de banho das imagens são de marcas portuguesas.

Uau!


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No outro

Imagino que, para um escritor, descrever um momento íntimo seja profundamente arriscado;

rapidamente a descrição se torna lamechas, vulgar, grotesca ou perpassa no leitor um sentimento de estranheza ou desconforto.

Li, há tempos, um artigo de Clara Ferreira Alves sobre José Rodrigues dos Santos.

É claro que é fácil bater no jornalista que escreve livros, mas havia algumas transcrições de momentos eróticos absolutamente arrepiantes.

Mia Couto alia a sensibilidade, o erotismo e a poesia de forma sublime:

“Um homem e uma mulher trocavam beijos e o seu amor desalojava a cidade inteira.
-Tens medo de fazer amor comigo?
-Tenho – respondeu ele.
-Por eu ser preta?
-Tu não és preta.
-Aqui, sou.
-Não, não é por seres preta que eu tenho medo.
-Tens medo que eu esteja doente…
-Sei prevenir-me.
-É porquê, então?
-Tenho medo de não regressar, não regressar de ti.
Deolinda franziu o sobrolho. Empurrou o português de encontro à parede, colando-se a ele. Sidónio não mais regressaria desse abraço.
-Que olhar é meu nos olhos teus?”

Venenos de Deus, Remédios do Diabo, Mia Couto

Não vou estragar a surpresa, mas a continuação da descrição deste encontro amoroso é tão intensa e delicada que nos faz corar.

São estas subtilezas que distinguem os escritores daqueles que escrevem livros…

 

Imagem Grace Upon Grace


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Voos

Marinheiro

 

“Aquele pássaro que voa pela primeira vez

afasta-se do ninho olhando para trás

Com o dedo nos lábios

Chamei-vos

Inventei jogos de água

na copa das árvores

Tornei-te a mais bela das mulheres

tão bela que enrubescias nas tardes

A lua afasta-se de nós

e lança uma coroa sobre o pólo

Fiz correr rios

que nunca existiram

De um grito ergui uma montanha

e em volta dançámos uma nova dança

Cortei todas as nuvens do Este

E ensinei a cantar um pássaro de neve

Caminhemos sobre os meses desatados

Sou o velho marinheiro

que cose os horizontes cortados”

Vicente Huidobro, Chile, 1893-1948

 

A poesia ou faz-nos voar ou faz-nos contemplar os pássaros que voam.

Qualquer uma das opções é mais que perfeita.

Adeus!

Imagem de Nhung Le.


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Apanhar

Está a chegar aquela altura do ano no Alentejo em que já não sei o que fazer ao calor que sinto no corpo e no pescoço.

Apetece rapar o cabelo e sentir uma brisa (ainda que não corra qualquer  brisa por aqui…) a refrescar a nuca.

Como a audácia por estes lados é apenas q.b., são bem vindos penteados que libertem o pescoço mas que não transmitam a ideia de desespero total.

mstreinta-apanhado

 

Do blog :Ms Treinta

E da  Taza.

Um chique desalinhado!

Ou a derreter… apenas desalinhada!

O lenço ou os ganchos, para quem não é minimalista (eu…), dão uma graça extra.

E o meio preso, apesar de não resolver o calor do pescoço, destapa a cara com estilo.

Bem… mãos à obra.

Também pode ficar muito giro num homem; este já é giro, é certo…

Este post está de uma profundidade…

Estival!