“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Weird

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hwtf frase

No meio de tantas rotinas, deveres, obrigações, expectativas, fica um sufoco, uma vontade de gritar Álvaro de Campos:

 ” […]

Não me macem, por amor de Deus!

 

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?

Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!

Vão para o diabo sem mim,

Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!

Para que havemos de ir juntos?

 

Não me peguem no braço!

Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.

Já disse que sou sozinho!

Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia! […]”

LISBON REVISITED   (1923)

 

Com Álvaro de Campos na cabeça, mas com as obrigações profissionais e domésticas à espera, com as contas por pagar que me impedem de abrandar o ritmo…

Extravaso a rebeldia com um vestido extravagante, um piercing ou com batôn vermelho!

Ena! Ena!

Que insurrecta!


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Tango

Esta é a banda sonora para um fim de tarde de Outono.

Num bar simpático, com um copo de vinho e uma boa conversa.

Pois…

Talvez daqui a 15 anos…

Tenho de descobrir o segredo dos meus vizinhos: a poucos quilómetros daqui, os espanhóis têm o hábito de comer uma tapa, dar um passeio ou ir às compras depois do trabalho.

Eu corro para casa, porque tenho a segunda parte do meu dia à minha espera… jantar, banhos, louça, história e cair na cama.

E eles vão para as tapas…

Estranhos, não são?

Eles ou eu?

 


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Humanos

Cito de memória um testemunho de um militar do filme Human:

“A partir do momento em que cruzámos o olhar, deixei de vê-lo como inimigo, vi medo e vi um ser humano… e eu ia matar um ser humano. Foi transformador. ”

São tantos os depoimentos!

Intensos, generosos, perturbadores (e perturbados), lúcidos e muito humanos!

Somos nós: o melhor e o pior de nós.

A nossa essência cheia de poesia, amor, beleza mas também raiva, violência e ódio.

O que é que faz de nós Humanos?

human-poster

Será que tentamos todos os dias ser a nossa melhor versão?

Será que andamos a honrar a capacidade excepcional que nos foi dada, a Razão?

São muitos depoimentos que nos falam de Amor, da condição da Mullher, de Pobreza, de Família, de Identidade e Verdade, de Ódio e Violência.

Olhos nos olhos.

Primeira parte;

Segunda parte;

Terceira parte.

Falta-me ver o volume 3: hoje será o dia!

 

“I am one man among seven billion others. For the past 40 years, I have been photographing our planet and its human diversity, and I have the feeling that humanity is not making any progress. We can’t always manage to live together.
Why is that?
I didn’t look for an answer in statistics or analysis, but in man himself.”

Yann Arthus-Bertrand


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Envelhecer

Um dia vai ser assim:

Não vou estar incomodada com a flacidez da pele e com o facto de ter constantemente 2 kg a mais.

Já não vou saber o que é a “vertigem dos dias”.

Vou ter uma cadeira no quintal onde passarei as tardes a ler todos os livros que fui acumulando.

Vou usar socas porque, como caminho calmamente, não corro o risco de perdê-las.

envelhecer johanna bradford

Vou plantar flores e contemplá-las, enquanto espero que os meus amigos venham beber comigo o chá de todos os dias.

Não sairão de minha casa sem um ramo de flores.

Sou capaz de cortar a franja do cabelo, porque ficarei com ar de menina; terei tempo para esticá-la todos os dias.

Johanna Bradford envelhecer

Vou sentar-me e pensar em tudo o que vivi.

Ficarei serena com os meus erros e desculpar-me-ei.

envelhecer johanna bradford 1

Agradecerei, ao anoitecer, todos os dias de paz que me foram destinados e por todos os amores que vivi/vivo.

Depois de jantar, planearei as viagens que ainda nos falta fazer.

(Nota-se que ando a reler Alberto Caeiro?)

O meu futuro veio do blog Johanna Bradford.


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Confort Food

A Nigella usa muito a expressão “confort food” e essa estratégia permite-lhe comer muita manteiga e açúcar a qualquer hora do dia, sem arrependimentos…

Com o frio a chegar ao Alentejo, do que precisamos mesmo é de refeições que nos confortem, mas que não nos façam duplicar de tamanho.

Abóbora Recheada

abóbora recheada feijão

-Corto a abóbora manteiga em quatro

– Limpo as pevides e levo ao forno durante 30 minutos.

-Num tacho, cozinho, com pouco azeite, pedacinhos da parte de cima da abóbora, alho-francês e courgette (ou outros legumes que tenha).

-Acrescento o feijão já cozido, pimenta, noz-moscada, cominhos e erva-doce (pouca).

-Preencho as abóboras e sirvo com arroz branco ou sozinho.

É garantido: conforta e sacia!

 


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Superlativos

O frio já chegou ao Alentejo, naquele que dizem que vai ser o Inverno mais rigoroso das últimas décadas.

Não sei se é um sinal dos tempos e da necessidade de afirmarmos a nossa individualidade excepcional,

mas ultimamente reparo que há uma obsessão pelo uso dos superlativos relativos de superioridade.

Concordo que pertencer à mediania não tenha muita piada…

Pensando bem, talvez a meteorologia sinta necessidade de acompanhar o constante assumir de posições extremadas,

num momento em que o mundo avança demasiado depressa e desorientadamente.

O lema é “corre depressa”, mesmo que não se saibas para onde.

Parar para reflectir e tentar encontrar caminhos para os problemas que nos cilindram, enquanto espécie, todos os dias não é uma opção…

O mundo ocidental está, de facto, em crise!

Como é que ganham adeptos e seguidores homens/mulheres que apelam ao pior do ser humano, quer seja à xenofobia, à desumanidade, à intolerância, à mesquinhez ou até à chico-espertice?

Infelizmente, o fenómeno não se observa só nos E.U.A..

Uma sociedade Doente ou com muita Fome segue alguém que lhe acene com uma qualquer solução,

ainda que esta seja tornarmo-nos piores seres humanos e esquecermo-nos que devemos continuar a subir a curva ascendente da evolução da Humanidade a que pertencemos.

Todos.

sophie-blackall

Esta ilustração de Sophie Backall é belíssima, mas retrata um tempo e uma mentalidade que não queremos que volte. Nunca mais.

É melhor aumentarem a imagem…