“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Cordial

Quando era adolescente, gostava de listas (ainda gosto!)  e de ordenar os items por tops.

-Qual o defeito que mais abominas?

-A arrogância.

Por outro lado, nunca considerei a cordialidade como uma qualidade.

Por educação e personalidade, julguei a  cordialidade como a forma de estar natural dos seres humanos.

Cresci e percebi que não é bem assim…

Cordialidade deriva do Latim cor, cordis (coração).

Também deriva da origem latina a palavra cordial, que significa “referente ao coração, ao afeto”.

Cordialidade é algo que deve reinar entre os humanos.

Na verdade, é, assim como a Razão, o que nos distingue das bestas.

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O Urso que não era

Este é um livro existencialista e que coloca algumas questões universais e intemporais.

Seremos nós aquilo que os outros julgam que nós somos?

Tornar-nos-emos padronizados à força da repetição do que “devemos” ser ou fazer ou parecer?

Até que ponto ficará a nossa individualidade diluída no meio de tantos convencionalismos e expectativas?

Conseguiremos salvá-la?

É bom ser “esquisito”?

Dúvidas ainda difíceis de acertar aos 40, mas que convém começar a abordar aos 6.

Com sentido de humor, recorrendo ao absurdo e… com um urso.

Um urso que sabe muito bem que. quando os gansos voam para sul. é a altura de hibernar.

Um urso que. ao acordar do seu sono retemperador. tem o azar de encontrar homens muito produtivos, muitos decididos, muito enérgicos, muito poderosos e, claro, muito imbecis.

Homens que sabem o lugar do urso: numa linha de produção de uma fábrica super tecnológica, a trabalhar 8h por dia.

Urso não, “um homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”.

São tão convincentes que o nosso urso quase que se convence de que é “um homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”.

Como “homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”, vai trabalhar.

E quase se esquece de quem é e do que realmente precisa para ser feliz.

Um livro de 1946, editado pela Bruaá em 2016, mas, como se vê, muito actual.

Para ler e reler!


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Mais

A Lunna escreveu-me, nos votos de Ano Novo:

“Que 2018 seja menos intenso em sua correria (porque 2017 foi insano, nem agosto conseguiu detê-lo um pouco mais) e que seja mais, que sejamos mais.”

Vou tentar canalizar os esforços nesse sentido!

Ser mais: mais Mãe, mais Eu, Melhor!

Estar mais: com aqueles que amo, comigo!

Ver mais!

Respirar mais!

Pausar mais!

Sair por aí ajuda!

sobreiros

Beatriz de patins

Provavelmente, estou sugestionada, mas parece que anda uma luz nova no ar…

Oxalá!

E que traga a todos limpidez e cor!


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Jano

Janeiro provém de Jano, um dos mais antigos deuses do panteão romano.

Jano era o deus de todos os princípios, o que motivou Júlio César a escolhê-lo para designar o primeiro mês do calendário (calendário que ostentava o seu nome, o calendário juliano).

Jano é representado com dois rostos que se opõem: um olhando para a frente, outro olhando para trás.

Atribuem-se ao reinado de Jano as habituais características da Idade do Ouro: completa honestidade dos homens, abundância e paz profunda.

Terá sido Jano o inventor dos barcos.

As mais antigas moedas romanas em bronze tinham, numa das faces, a efígie de Jano e o reverso representava a proa de um barco.

(Estas e outras informações mitológicas constam deste livro maravilhoso.)

A minha proposta para 2018: vamos começar de novo!

O ideal talvez seja aproveitar esta oportunidade de recomeçar e deitar fora o lastro que, às vezes, nos prende.

Recomeçar com as aprendizagens e maturidade do Passado, mas com o olhar num Futuro límpido e venturoso!

 


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Bebés

A nossa família vai ter mais dois bebés!

Um bebé que vem do mar e uma bebé que vem da planície.

Vão chegar no Inverno!

E dormir quentinhos dentro dos ♥ ♥ ♥ ♥ dos seus pais!

Li que o mundo se divide entre aqueles que foram pais há pouco tempo e os outros!

Talvez seja verdade…

Lembro-me que, poucos meses após o nascimento da Beatriz, eu olhava para os bebés e analisava, involuntariamente, se estavam a apanhar sol, sujeitos a uma corrente de ar, a chorar com fome ou com a fralda molhada. Sentia-me responsável pelo bem-estar de todos os bebés que se cruzavam comigo… e fazia um esforço enorme para calar a boca e não ser intrusiva.

Agora estou um pouco melhor…

Só fico aflita com o choro das crianças de 6 anos!

Irmãos lindos daqui.


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O Sentido da Vida

Uma apresentação que se intitula “Há mais na vida do que ser feliz” já é suficientemente provocatória, sobretudo quando vivemos numa época em que proliferam livros de autoajuda, artigos e lista com promessas de felicidade empacotada.

Mas se alcançar a felicidade fosse só seguir uma “to do list”, não seríamos hoje um dos países da União Europeia que mais toma antidepressivos e ansiolíticos.

A falha, a meu ver, começa quando se liga felicidade a sucesso e se traduz sucesso por: ter casa própria, carro novo, namorado boneco e dinheiro para pequenos (ou grandes) luxos.

Todos conhecemos  pessoas que reúnem todos (ou quase todos) estes requisitos e continuam ansiosas, dependentes de Lexotan e com um vazio inexplicável.

Emily Smith propõe-nos uma reflexão sobre o sentido da vida humana, mais do que vivermos como toupeiras à procura de uma felicidade que, inevitavelmente, chega, foge e se esconde.

Como dar sentido à vida?

1- Alimentar o sentimento de pertença:

Estabelecer relações em que se é valorizado/se valoriza pelo que se é e em que se dá, de facto, atenção ao outro: quer seja o senhor que nos vende o café, um familiar, um vizinho, um amigo.

Ultimamente, reparo que é raro alguém focar-se no outro: há o telemóvel, há a vida exterior (e interior) e muitos dos diálogos são estranhos, porque já não se responde à deixa do outro, monologa-se.

2- Estabelecer objectivos de vida:

Ter objectivos de vida que vão para além do “tirar um curso e arranjar um bom emprego “.

Garantir a sobrevivência imediata é importante, mas Emily Smith fala em objectivos que passem por “dar” aos outros.

Numa sociedade tão pouco filantrópica, como aquela em que aterrámos, e tão defensora da esperteza e desenrascanço nacional (ainda que isso prejudique o próximo), fica evidente que temos um longo caminho a percorrer nesta área.

Salvar-nos-á, talvez, o espírito forte de família: amar os filhos é uma forma sublime de “dar-se”.

Emily defende que muitos de nós vêem o trabalho como uma forma de contribuir para algo maior e, por isso mesmo, o desemprego é mais do que um problema económico, é uma questão existencial. Bem visto!

3-Praticar a transcendência:

Encontrar uma forma de abstrair das minudências quotidianas.

Há quem o faça através da Fé, da Arte ou da criação: fazer algo que nos melhore enquanto seres humanos e que nos faça perder a noção de tempo e de espaço.

4- Encontrar a melhor versão da nossa história:

A nossa vida é narrada a nós próprios (e aos outros) centenas de vezes ao longo dos anos.

Devemos construir uma narrativa de redenção, crescimento e amor para nós próprios e não de autocomiseração e amargura.

Há quem precise de psicólogo para encontrar a melhor versão da sua história, há quem o faça sozinho, ao longo do tempo, através de muita introespeção.

Precisei de sintetizar as reflexões da Emily, porque por vezes esqueço-me de que são estes 4 pilares que seguram a minha casa. Na verdade, só uma casa com uma arquiteta bem lúcida e bem ciente do sentido da vida consegue ultrapassar serenamente os momentos felizes e menos felizes que fazem parte da vida humana.

Afinal, como bem disse Emily, a Felicidade joga connosco ao “toca e foge” e nós temos de viver todos os dias!