“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Rejeições

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Redmond Barry é meu amigo, tem 40 anos, é bonito, culto e inteligente.

Tem tudo para se sentir absolutamente afortunado, mas é possível ser lúcido e feliz?

Fernando Pessoa já há muito deu resposta a essa questão!

Portanto, resta-nos reflectir.

Chegou o momento de dar espaço à perspectiva masculina, neste blog.

O que tens a dizer das tão assombrosas/espinhosas relações românticas?

Rejeições

Certamente que uma das piores emoções pelas quais um ser humano passa advém de uma qualquer rejeição e todos nós já fomos sujeitos, em maior ou menor medida, a várias. Seja numa entrevista de emprego, seja por parte de um grupo de amigos ou devido a um amor não correspondido, quando somos rejeitados um sentimento que pode ir da tristeza à revolta invade-nos o coração e, consoante o caso, pode durar uns minutos, umas horas, uns quantos dias ou até algumas semanas.

Muito pior, todavia, é viver numa constante rejeição que, pelo que me tenho dado conta, é algo que atinge muitos casais. A partir de determinado momento, por variadíssimas causas que me ultrapassam, embora por vezes também sem qualquer motivo aparente, um dos membros do casal desliga-se progressivamente do outro. Deixa de querer ter um momento a sós, de passar ocasionalmente um pôr-de-sol abraçado como se de um casal de adolescentes se tratasse e, claro, deixa inevitavelmente de ter qualquer relação sexual ou tem-nas com uma frequência residual e/ou por achar que deve cumprir uma obrigação. Não faço ideia de qual será a quantidade de casais afetados por este problema, pois os estudos sobre esta matéria sofrem com uma grande variação já que se baseiam em questionários anónimos de autopreenchimento. Ainda assim, estima-se que entre a 10% a 20% das relações de longo prazo um dos membros é rejeitado sistematicamente.

               É para mim muito difícil compreender as motivações de quem rejeita, com exceção de quando se trata de impor algum castigo, vingança sobre o parceiro ou um inegável problema de saúde. Se quem rejeita tivesse um mínimo vislumbre do que causa na outra pessoa, rapidamente tomaria uma de duas ações possíveis. No caso de pretender manter uma relação saudável procurava, por todos os meios e da forma mais célere possível, resolver o problema. A outra opção era libertar o parceiro (ou parceira, pois têm-me chegado vários relatos no feminino) de uma relação que progressivamente se tornará, usando a terminologia woke, tóxica. Se uma rejeição é difícil de digerir, quando é constante toma proporções cumulativas que desencadeiam um conjunto de sentimentos e ações extremamente negativos. A perda de autoestima é inevitável e pode atingir dimensões danosas a um ponto obsessivo, sobretudo porque estes problemas surgem tendencialmente numa fase mais avançada da vida quando os primeiros sinais de envelhecimento físico surgem – perda de cabelo, mudança na cor do cabelo, aumento de peso, perda da dentição, etc. Segue-se uma crescente revolta interna contra quem nos rejeita, correndo-se o risco de se transformar uma pessoa em tempos amada numa entidade abjeta e odiada. Estes sentimentos, todavia, não se circunscrevem ao seio familiar e o rejeitado começa inclusivamente a ter atitudes que não lhe são inatas em todos os meios sociais em que se move.

               Então porque não aceitar, sem dramas, que o amor terminou? É verdade que há sempre muitos encargos conjuntos que, entretanto, se adquiriram – bens móveis e imóveis, filhos, amigos e familiares para gerir –, mas até que ponto se deve arrastar uma situação que leva a uma autodestruição anunciada?   Haverá alguma solução disponível? Aconselho a audição desta entrevista que me parece muito certeira no diagnóstico e desfecho deste tipo de situações.

Rio Ponsul, seco, árido e estéril

Autor: Frasco de Memórias

http://frascodememorias.com

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